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DIÁLOGO ENTRE GOVERNO E OPOSIÇÃO EM MOÇAMBIQUE SEM FIM À VISTA, MAS, JÁ HÁ MORTOS…

Leopardo do Gilé

Leopardo do Gilé

No fim da sessão número 16 do “diálogo político”, o governo e o partido da oposição, Renamo voltaram a sair sem consenso, colocando definitivamente, fora de hipótese a possibilidade de mandar para a Assembleia da República, o produto final do diálogo. Com a continuação de pontos de vista diferenciados e com a sessão extraordinária da Assembleia da República (AR) a fechar esta quinta-feira dia 15 de Agosto de 2013, nada mais se pode esperar em relação a discussão e aprovação, pela AR, de uma nova lei eleitoral em resultado dos acordos não conseguidos no diálogo entre o governo e a Renamo.

Apesar desta situação e num discurso interpretado como sendo apenas de “recreação”, o ministro da agricultura e chefe da delegação governamental, José Pacheco insistiu no diálogo político e voltou a colocar a possibilidade de as partes poderem depositar o documento dos assuntos em discussão na AR entre a tarde de 14 de Agosto e a de 15 de Agosto. O que seria quase um autêntico milagre. É que na situação do actual impasse, o ministro e chefe da delegação no diálogo, disse aos jornalistas ter aconselhado a Renamo a avançar, assim mesmo, deixando a análise e decisão para a Assembleia da República.

De resto, a Renamo, desde o início do diálogo, negou esta ideia. A Renamo sempre defendeu que só fará o depósito do dossier em discussão depois de um acordo entre as partes. O acordo político significa necessariamente que o governo deve aceitar com dois pontos que a Renamo entende ser a essência das suas exigências. Ou seja, aceitar a paridade nos órgãos eleitorais.

“O governo entende que estão criadas condições para a remessa das propostas trazidas pela Renamo. Nesse sentido, o governo vai assinar um ofício propondo que a Renamo remeta a proposta à AR, ressalvando, no entanto, os pontos de vista do governo. Essa carta ainda vai ser assinada. Querendo, a Renamo pode assiná-la também e avançar com o documento. Caso não, vamos usar os canais próprios tendo em conta que o assunto deve ser remetido à AR. E usando as suas competências a AR vai analisar e decidir” – disse José Pacheco, pedindo a Renamo para avançar com a proposta.

Por seu turno, Saimone Macuiana, da delegação governamental classificou de completamente improdutiva a sessão (mais uma) que no dia 14 de Agosto teve lugar. Reiterou a necessidade de haver um acordo político para o avanço da proposta à AR. Assim, defendeu que, nas actuais condições não há como avançar.

Voltou, por outro lado, a colocar a solução do impasse na intervenção do Presidente da República tendo em conta, segundo entendimento da Renamo, as prerrogativas constitucionais que o Chefe de Estado tem para desbloquear o impasse do assunto em discussão.

E assim vai o chamado diálogo político entre o governo e Renamo saldando-se por um saldo francamente decepcionante para quem de fora assiste, o povão!

Citando Ruy Barbosa, político e escritor brasileiro, parece que:

“Toda a capacidade dos nossos estadistas se esvai na intriga, na astúcia, na cabala, na vingança, na inveja, na condescendência com o abuso, na salvação das aparências, no desleixo do futuro”.

Por: Leopardo do Gilé, algures em Moçambique
“escreve sem o acordo ortográfico”

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