Exposição de Luís Athouguia na Sociedade de Belas Artes

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A exposição de Luís Athouguia que vai estar patente na Sociedade Nacional de Belas Artes no próximo dia 7 de Dezembro, reflecte, de uma maneira geral, o que já antes todos sabíamos do seu universo tão particular: a invasão dos sonhos mais improváveis vem ao nosso encontro e leva-nos por trilhos e caminhos nunca dantes percorridos.

São estranhos fornicadores audazes, são monstros cujas línguas parecem vir de mundos subterrâneos;
São caras do mundo do além que nos interrogam para deixarmos de ser deste presente;
São estrelas que vogam pela eternidade dos nossos olhos;
São caminhantes que vão em direcção ao nada; são bestas que lançam pela boca a chuva da sapiência; são lábios que vogam pelo universo como flores tocadas pelo vento;
São anjos voadores tão especiais que às vezes nos ameaçam com uma foice duradoira;
São mulheres que cavalgam baios ruivos; são quatro cavaleiros em cima de cavalos de várias cores e não se sabe se conjuram outro apocalipse;
É o ovo da inocência e quatro anciãos que não sabem quem são; é um universo pejado de estrelas que às vezes caem; etc.

Cada êxtase de sonho convoca o seguinte e o seguinte pode até apelar ao último em data que nós ficamos irremediavelmente tranquilos: sabemos que nada se perde nos quadros de Luís Athouguia pois tudo se transforma em magia. Seria necessário recuarmos no tempo para encontrarmos na pintura de alguns surrealistas tais como Max Ernst, Wilfredo Lam ou Tanguy, alguma accointance pictórica com o nosso pintor.

Já outra vez afirmámos que depois dos desaparecimentos de Mário Botas, Álvaro Lapa, Mário Cesariny, só nos resta o Luís Athouguia para nos levar para lá do espelho onde os coelhos têm relógios de pulso e não chegam nunca a horas. Hoje confirmo isso.

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