Governo e Renamo retornam ao diálogo

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Parece que estão a ser tomadas medidas concretas para que o estado de paz comece a se instalar de novo na pérola do Índico.
Já com certezas plenas da participação da Renamo nas eleições gerais e para as assembleias provinciais previstas para 15 de Outubro do corrente ano, o governo e o partido de Afonso Dhlakama continuam em velocidade turbinada quanto à criação de condições para assegurar o que se considera “eleições livres, justas e transparentes”.
Segundo se sabe, a questão de fundo na actual discussão, tem a ver com a composição dos órgãos eleitorais, no caso o STAE (Secretariado Técnico de Administração Eleitoral) e a CNE (Comissão Nacional de Eleições), cujos desentendimentos em relação a esta matéria submergiram o país na actual crise político/militar.
Naquilo que pode constituir prova de que, depois de 3 meses de interregno, as partes estão efectivamente interessadas a fechar o dossier negocial o mais breve possível e, por esta via, devolver a paz e estabilidade ao país, irão voltar a reunir na quinta-feira dia 13 de Fevereiro, depois da 34ª sessão do diálogo ter pela primeira vez, tido lugar na presença dos 5 observadores nacionais.

Falando no fim da sessão de ontem, os chefes das duas delegações, José Pacheco, pelo governo e Saimone Macuane, pela Renamo, voltaram a mostrar sinais que indicam avanços significativos em torno do primeiro ponto em debate: as questões eleitorais.

Depois de terem fechado o dossier sobre a composição da CNE, as partes em diálogo discutiram em 12/2, a questão que tem a ver com a composição do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE). Tendo avançado em pontos essenciais, espera-se conclusões na reunião de 13/2.

Em relação a participação de observadores nacionais, as duas partes foram unânimes em afirmar que a participação de terceiros está sim a desempenhar o seu papel. “Como personalidades tem e terão sim o seu papel para emitir as devidas opiniões para que este assunto de governação inclusiva e participativa seja efectivamente entendida por todos”, disse o chefe da delegação governamental, José Pacheco. Por seu turno, Saimone Macuana, da Renamo indicou que “sempre exigimos a participação de observadores porque acreditamos que eles têm um contributo a dar nessas negociações”

Contudo apesar do diálogo ter voltado os confrontos entre as forças governamentais e as da Renamo ainda não cessaram.

Assim o uso de armas pesadas na última operação das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique (FDS) contra os homens da Renamo tinha por objectivo demonstrar a existência de um enorme potencial para empreender uma grande ofensiva militar contra aquele movimento em caso de necessidade, disse, em Maputo, Cristóvão Chume, director nacional de Política de Defesa e Segurança no Ministério da Defesa Nacional (MDN). Chume falava em conferência de imprensa sobre os bombardeamentos realizados pelas FDS contra os homens armados da Renamo na serra da Gorongosa, província central de Sofala, durante o último fim-de-semana.

A fonte confirmou que as FDS usaram armamento pesado para bombardear algumas posições da Renamo, mas aproveitou a oportunidade para desmentir a realização de bombardeamentos aéreos. “É verdade que a artilharia é pesada. Não me vou referir aqui ao tipo de artilharia (usada). Contudo, não é verdade que tenha havido bombardeamento aéreo. Essa informação é falsa. O Estado moçambicano, achando que há um perigo contra a comunidade nacional, poderá, se houver necessidade, usar todos os meios à sua disposição para repor a ordem e tranquilidade”.

Aliás, é precisamente naquela região onde se acredita que estejam escondidos os homens da Renamo responsáveis pelo assalto a um paiol no posto administrativo de Savane realizado no ano passado. A Renamo associa esta incursão das FADM com a suposta pretensão das autoridades moçambicanas de matar Afonso Dhlakama. Por outro lado, falando também em conferência de imprensa, o partido de Afonso Dhlakama advertiu também que caso a incursão das Forças de Defesa e Segurança continuasse, uma ordem expressa seria dada no sentido de os guerrilheiros da Renamo “activarem as suas bases”. Assim se faz ou se percorre os caminhos para a paz em Moçambique, nitidamente aos soluços.

Por outro lado, na Zambézia, o partido Movimento Democrático de Moçambique (MDC), ganhou as eleições no Gurué, na província do centro de Moçambique “folgadamente”. Naquilo que foi a repetição das eleições municipais no passado sábado em Gurué, o MDC, elevou assim para quatro as autarquias por si controladas.

De acordo com dados do Observatório Eleitoral, para além da vitória do MDM a votação foi caracterizada por um aumento da participação dos eleitores. O candidato do MDC teve cerca de 55%, e o candidato da Frelimo cerca de 45%.

O tempo do monopartidarismo terminou e do bipartidarismo parece que também caminha na mesma direcção.

Por: Leopardo do Gilé, algures em Moçambique
“escreve sem o acordo ortográfico”

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