São todos culpados na avaliação da greve dos motoristas

São todos culpados na avaliação da greve dos motoristas

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A greve dos motoristas de matérias perigosas, afeta todos os setores de atividade, mas engana-se quem grita aos ventos da indignação, porque depois desta, nada vai ficar na mesma, as consequências da iniciativa deste grupo profissional, liderado por um sindicato independente, alteraram a ordem da reivindicação laboral estabelecida.

Nesta anormalidade do quotidiano laborar de um setor muito específico e essencial para a economia nacional, todos tem de ser responsabilizados, a começar pelo governo, entidades patronais, sindicatos tradicionais, o sindicato independente e promotor do protesto  e os partidos que apoiam a estratégia de António Costa, o maior beneficiário desta crise, para já.

O governo que esteve declaradamente ao lado das empresas, para além de ter sido um dos promotores do alarmismo, vai ter uma importante fatura para pagar, a qual só será contabilizável na próxima legislatura, quando António Costa já desfrutar do suposto gozo da vitória eleitoral, mas cuidado, tenham atenção os futuros reclamadores, porque como já o demonstrou, este primeiro ministro está preparado, ele manda a guarda lá a casa e acaba-se logo ali a reivindicação, ou vai tudo preso.

Já as entidades patronais do setor, que desde sempre contaram com a cumplicidade da Autoridade para as Condições do Trabalho, estão enganadas porque nada será igual depois desta greve, para além de terem de negociar com os representantes dos trabalhadores, ficam sujeitos à investida do fisco e da segurança social, que não vão perder a oportunidade em lhes entrar porta adentro, para verificar inconformidades.

As empresas estão a pagar a indigna exploração que tem imposto desde sempre aos trabalhadores, com o patrocínio dos sucessivos governos, aproveitando-se do laxismo das instituições públicas com responsabilidades no setor laboral, valendo-se da fragilidade do mercado de trabalho em Portugal e impondo cargas horárias absolutamente irracionais, com pagamento de salário base mínimo e a miséria restante, liquidada por fora, para fugir aos impostos correspondentes, enganando deliberadamente a segurança social, a autoridade tributária, o Estado português.

Já os sindicatos tradicionais, que tem vivido a fazer de conta, no mais completo laxismo, comodamente instalados em bafientos gabinetes decorados com cartazes do passado, num cenário de total cumplicidade com aqueles que deviam enfrentar e desafiar, banqueteando-se no esquecimento do mais básico dos princípios sindicais, que é não só o combate pela defesa dos direitos dos trabalhadores que representam, mas também a denúncia da ignóbil ganância de lucros astronómicos, à custa de trabalho escravo.

Por outro lado o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas, demonstrou uma imaturidade gritante, incapaz de perceber que para enfrentar os leões do poder e do patronato, teriam de jogar com inteligência, com uma ação calculada, criteriosa e progressiva, evitando logo à partida, os limites da radicalização, não só nas ações mas também nas declarações, deixando o ónus do conflito e agressividade, para o representante da associação patronal, que sendo da família socialista, contratado para dar a cara pelos patrões, se sentia no céu, sem perceber que estava a ser usado, para fazer de vilão no filme.

Quanto aos partidos políticos da extrema esquerda, parceiros na geringonça, que também tem esqueletos no armário, acabam de ser vergonhosamente desmascarados com esta crise, ao dar o aval às medidas anunciadas pelo parceiro no poder, que não se inibe de avançar com medidas autoritárias, habituais em governos de extrema direita.

Os partidos que apoiam o governo, são nesta crise o mais claro exemplo de cobardia política. Bloco de Esquerda e Partido Comunista, demonstram com o seu silêncio, ou singelas e hipócritas intervenções de acalma o bicho, que afinal não são diferentes em nada, daqueles que dizem combater. Os parceiros deste governo, só sabem gritar e empunha as bandeiras da injustiça, quando do outro lado não estão amigos de peito, ou negócios comuns, tornando-se por isso, cúmplices das mais vergonhosas arbitrariedades praticadas pelos coronéis do poder económico.

Dos partidos da direita portuguesa, não se esperava outra coisa. Com o seu apoio às decisões do atual governo, apesar de ser uma espinha que lhes tira a fala e o protagonismo, estão satisfeitos, porque as politicas implementadas pelo Drº António Costa, sempre fizeram parte do seu ideário, na qualidade de arautos dos interesses das empresas, pouco preocupados com a miséria humana, que campeia no setor dos transportes.

Nesta cena, todos tem de ser responsabilizados, especialmente aqueles que durante anos e anos, exploraram com a maior indignidade, os trabalhadores que lhes proporcionam lucros astronómicos, vidas de riquíssima qualidade, sem nunca terem sido obrigados a dormir na cabine de um camião.

Carlos Santomor

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