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A final da taça, o very-light e o erro do Presidente

A final da taça, o very-light e o erro do Presidente

O m√™s de maio corria, o calor apertava e o Sporting, o meu clube, vinha jogar √† minha terra no final da ta√ßa de Portugal…

Tal como todos os anos, aquele dia na Cruz Quebrada era um dia de festa, fossem os finalistas da ta√ßa da terceira, segunda ou primeira divis√£o, os caf√©s e os restantes enchiam-se; a “Nova Marginal”, “o Ca√ßador”, a “Arcada” ou a “Casinha” eram pontos de encontro e de conv√≠vio entre os locais e quem vinha de longe, ora comer num restaurante ora fazer um piquenique na mata do est√°dio nacional, era uma realidade que a todos enchia o cora√ß√£o!

Mas naquele dia, o jogo era entre os rivais Sporting e Benfica e aos meus 18 anos, tinha duas op√ß√Ķes para ver o jogo; em casa do meu amigo Paulo Semedo junto do grupo de amigos ou ir ver ao est√°dio nacional o jogo; optei pela √ļltima…

Em 1996, o est√°dio tinha bancadas de pedra, era um pouco desconfort√°vel, e como cheguei em cima do apito inicial, fiquei junto √† claque do sporting; a “juventude leonina”…

Quando o Benfica marcou golo, passados 30 segundos, vi uma esp√©cie de foguete, vir quase na minha dire√ß√£o…e de repente vi um Homem que tinha sido atingido no pesco√ßo por aquele foguete a morrer √† minha frente…o cen√°rio de p√Ęnico instalou-se, lembro-me de um rapaz ter tentado retirar o “proj√©til” do pesco√ßo da v√≠tima, mas de ter-se queimado na m√£o e de ter desistido…Os berros e os pedidos de ajuda eram ensurdecedores, at√© que uma maca dos bombeiros apareceu e levou o Homem…De seguida a revolta e a raiva tomou conta dos adeptos e os c√Ęnticos para pedir a interrup√ß√£o do jogo sucederam-se… Alguns membros da claque foram at√© √†s redes e arrancaram-nas na tentativa de invadir o campo de futebol…entretanto chegou a pol√≠cia de choque evitando tal invas√£o…

O Presidente Jorge Sampaio presente no est√°dio nacional nada fez e ignorou o sucedido mandando prosseguir o jogo mesmo com a chegada do intervalo… Formou-se uma cratera sem multid√£o √† volta do local onde se deu a trag√©dia. A cratera era vis√≠vel de todo o est√°dio… o sangue sujava todos os assentos da dita “cratera”… era um cen√°rio dantesco para quem sentiu como eu, que poderia tamb√©m ter sido a v√≠tima do very-light …

Abandonei o est√°dio durante o intervalo e durante anos n√£o voltei a entrar num est√°dio de futebol….aquela morte est√ļpida e a decis√£o do presidente da rep√ļblica, indiferente √† trag√©dia e ao choque, causou-me tristeza…penso que nestas situa√ß√Ķes n√£o se pode “banalizar” a viol√™ncia de qualquer adepto, ainda para mais tendo existido uma morte…

Desta final da taça de 1996 até aos dias que correm, as coisas melhoraram a nível do controlo da violência nos estádios de futebol mas, no entanto, não se evitou que o senhor que lançou o very-light mortífero em 1996 tivesse sido novamente detido num jogo no ano de 2018 entre o Chaves e o Benfica.

Muito h√° a fazer no √Ęmbito do desporto para melhorar a seguran√ßa nos est√°dios, pois o esp√≠rito da final da ta√ßa, de conv√≠vio e harmonia no futebol, √© o que todos queremos…

Haja no futuro leis e justiça com essa finalidade!

Paulo Freitas do Amaral
Professor de História
Co-fundador do partido “Nova Direita”

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