A Venezuela por entre a falência, as inventonas e a contestação

A Venezuela tem neste momento uma dívida às companhias aéreas internacionais, que já chega aos 3.600 milhões de dólares, valor que as transportadoras não conseguem retirar do país de Maduro, afirmou esta quinta feira em Bagotá, o representante da IATA a Associação Internacional de Transporte Aéreo, em conferência de imprensa.

Já não bastava o corte sobre a dívida em 20%, realizado unilateralmente em Dezembro passado pelo governo venezuelano, o Ministério dos transportes continua a recusar dialogar com a IATA, que segundo Tony Tyler, o seu diretor geral, nem agendar reuniões consegue.

A venezuela vive um período muito complicado em termos económicos, devido à queda do preço do petróleo no mercado internacional, mas não só, o descontrolo que o país enfrenta há já alguns anos, agravado pela queda a pique da produção interna e pela subida de Nicolas Maduro ao trono de Miraflores, atiraram o país para o charco em que se transformou.

A instabilidade e insegurança que se vive atualmente em cidades como Caracas e outras por todo o país, não tem paralelo na América do Sul, os raptos sucedem-se, o crime campeia sem que haja que o reprima.

O acesso aos produtos básicos está a dar origem a situações inacreditáveis, à falta de bens essenciais nas lojas, segue-se a prisão dos proprietários acusados de sabotagem.

Nicolas Madura propala aos quatro ventos que desmonta intentonas de golpe de estado, todos os dias. A última que anunciou via Twitter aos venezuelanos, dizia sob a hastag @NicolasMaduro que: “En breve estaré con la Juventud inaugurando obras para la Comunidad, además informaré la desarticulación de un ataque golpista”.

Num video distribuido a seguir ao twitter, Maduro dizia que “‘Lo hemos desarticulado a tiempo’, fizemos detenções, já estão presos, estamos a desmantelar o resto, foi um atentado golpista porque não lhe chamo golpe de estado” disse Maduro, adiantando que: “Falei com um jovem que estava supostamente implicado e ele disse-me que lhe pagaram, pagaram-lhe em dólares, deram-lhe a missão, ou várias missões e uma visa norte americana com data de 3 de fevereiro”.

Entretanto as manifestações contra a falta de tudo, sucedem-se por todo o país, com Caracas a liderar as iniciativas de protesto. Estudantes, setores sociais e opositores que são cada vez mais, manifestam-se de várias formas, mesmo sujeitos a uma repressão que faz sempre vítimas.

Enquanto isso, Nicolas Maduro diverte-se por entre uma multitude de apaniguados que o protegem à distância de um palmo, acompanhado pela câmaras de televisão, nas frequentes saídas que faz, por bairros e locais, que são previamente isolados por fortes contigentes policiais, para que ninguém se lembre de deixar caír a telha, quando o homem passar.

O movimento estudantil que tem sido seriamente atacado pela forças policiais às ordens de Nicolas Maduro, fazendo inúmeras vítimas entre estudantes e líderes, garantem que não param com os protestos a exigir a reposição dos direitos cívicos.

Representantes estudantis de várias universidades do país, reunidos esta semana na Aula Magna da Universidade Central da Venezuela (UCV) em Caracas, com o objetivo de articular estratégias para as próximas ações, em que pretendem continuar a exigir o respeito pelos direitos humanos e a autonomia universitária, homenagearam a memória de Bassil Da Costa, o estudante assassinado, na Candelária e divulgaram uma nota em que se lê: “O nosso compromisso é para com os jovens de todo o país, pela liberdade e pela justiça”.

Os estudantes garantem que vão continuar a exigir respostas relativamente às mortes ocorridas nas manifestações estudantis em 2014.

“Vamos exigir ‘mudanças’ àqueles que se encontram no poder, se não houver alterações, que façam as malas e partam. Quanto mais repressivo for o governo, mais democrático e batalhador será o movimento estudantil” garantiu Hasler Iglesias, presidente eleito, da Federação de Centros Universitários da UCV.

Carlos Santomor

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