Carta aberta ao Sindicato dos Técnicos de Ambulância de Emergência do INEM

Como é publico e notório, para além de eu exercer actividade na área da protecção civil, e emergência pré-hospitalar, estive e ainda estou pontualmente ligado à área da elecromedicina e electrónica de radiocomunicações, tendo formação e experiência comprovada em qualquer uma destas áreas, embora não tenha qualquer relação técnica ou comercial com o INEM.

Que Vexas pretendem a todo custo pressionar a tutela a demitir o presidente do INEM para que esse instituto volte à anarquia em que vivia, penso que já toda a gente percebeu. Mas desta vez Vexas tocam e ultrapassam o ridículo nos termos e pelos factos seguintes:

1º Não há actualmente nenhum monitor certificado de electromedicina hospitalar com norma CE que face à tecnologia SMD, e filtragem electrónica, tenha problemas de estabilidade de tensão de alimentação, ou efeitos de artefactos resultantes de alterações electrostáticas quando em ambiente pré-hospitalar;

2º Quanto à resistência a quedas, é exigido a todos os equipamentos de electromedicina um nível de resistência mínimo garantido, que suporte de queda de 1metro, sendo isto aplicável a equipamentos hospitalares ou pré-hospitalares;

3º Quanto ao nível de resistência à água é exigível que o equipamento cumpra no mínimo a norma IP54 ( resistente a salpicos), embora possa ir até IP 68 (submersível até 1 metro durante 30 min.).

4º O INEM efectuou uma aquisição minimamente adequada que salvaguarda os interesses dos contribuintes, atendendo a que independentemente da qualidade dos equipamentos adquiridos, a esmagadora maioria dos Técnicos em muitos dos casos honra o acrónimo INEM (Isto Não É Meu) na forma de conservação dos equipamentos colocados à sua disposição, o que determina que neste momento estejam dezenas de monitores de parâmetros vitais prontos para ir para o lixo (a aguardar recolha para reciclagem).

5º Gostaria ainda de salientar que os monitores em causa, podem ser encontrados em inúmeras ambulâncias em Espanha, e inúmeros outros países do mundo, o que me leva a questionar se estarão todos mal e apenas o STAE está certo?!

6º Apesar de existirem directivas da Comunidade Europeia sobre as características dos equipamentos de electromedicina para Safety, os Estados membros podem reservar-se ao direito de fazer adaptações específicas á sua realidade, podendo ultrapassar os requisitos fixados na directiva EN1789:2007 A2 2014 e a norma IEC EN 60601-2-4 2011 mesmo com as alterações produzidas pela redacção da IEC 60601-1:2005+A1:2012(E).

Nestes termos, cumpre-me afirmar que os equipamentos adquiridos pelo INEM, embora não sejam os que Vexas gostariam de ter ( e compreendo perfeitamente porque queriam outros de outra marca), cumprem todos os requisitos para poder trabalhar numa ambulância desde que com conversão de alimentação, o que é o caso, e que podem trabalhar na rua desde que não imersos ou submersos.

Aliás, importa salientar que os próprios monitores das viaturas médicas, que cumprem as normas supra-mencionadas, também sofrem artefactos com a ambulância em movimento, pelo que está contra-indicada a realização de ECG com a ambulância em movimento.

Assim sendo, não posso encarar este artigo de outra forma que não a de mais um atentado contra o Presidente do Conselho Directivo do INEM, mais uma tentativa de influenciar a tutela para o demitir, para além da já habitual tentativa de manipular a opinião pública.

Seria pertinente que Vexas passassem a apresentar argumentação técnica neste tipo de artigo que clama claramente pela demissão do Dr. Paulo Amado de Campos, pois não basta dizer que não pode, é necessário provar porquê, e neste caso Vexas não provaram rigorosamente nada, para além de mais do mesmo, ou seja, que estão totalmente empenhados na destituição por motivos que já todos percebemos.

Quanto às afirmações proferidas por elementos aparentemente do STAE nas redes sociais, e que dão conta de que alegadamente o Dr. Paulo Amado de Campos está desgastado, em baixo, e não tem férias, posso efectivamente afirmar que o presidente do INEM não se tem poupado a esforços e sacrifícios na sua vida pessoal e profissional em prol do INEM, dos seus colaboradores, e das vítimas por eles assistidas. Contudo, posso igualmente garantir que neste preciso momento o Sr. Presidente se encontra de férias, de moral e ânimo elevados, e com muito boa disposição.

O presente artigo de opinião não tem por intenção ofender ou denegrir a imagem de qualquer pessoa ou entidade. Pretende somente manifestar indignação pelos motivos constantes dos factos citados.

Gostaria de salientar que pesem embora os diferendos políticos e de opinião que nos separam, não tenho pessoalmente algo contra os membros desse sindicato.

Melhores cumprimentos,

Atentamente,

João Paulo Saraiva
Presidente da Direcção do Conselho Português de Protecção Civil

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