Home » OPINI√ÉO... » Artigo de Opini√£o » Cr√≥nica da Semana » Celebra√ß√£o do Dia Mundial do Ritmo Card√≠aco
Celebração do Dia Mundial do Ritmo Cardíaco

Celebração do Dia Mundial do Ritmo Cardíaco

A import√Ęncia do ritmo certo √© transversal a tudo no nosso dia-a-dia: seja no trabalho, na m√ļsica, ou no cora√ß√£o. Ao celebrarmos o Dia Mundial do Ritmo Card√≠aco, temos presente a import√Ęncia de trazer para o conhecimento p√ļblico o enorme impacto que as arritmias t√™m na sa√ļde dos portugueses.

A fibrilhação auricular, a arritmia mais frequente na prática clínica, aumenta 3 a 5 vezes o risco de ter um acidente vascular cerebral (AVC) isquémico e constitui um fator de risco independente para a mortalidade de causa cardíaca.

Como a sua frequência aumenta com a idade, o envelhecimento da população portuguesa vai inevitavelmente levar a que ela também se torne cada vez mais frequente. Mesmo assim, em Portugal, estima-se que 1 em cada 3 pessoas que tem fibrilhação auricular não sabe que a tem.

Al√©m das suas consequ√™ncias diretas e indiretas que custam milh√Ķes de euros por ano, estima-se que mais de 3% das mortes em Portugal possam ser atribu√≠das √† fibrilha√ß√£o auricular.

A complexidade desta doença implica, cada vez mais, a constituição de equipas multidisciplinares de profissionais que, de forma proactiva, aproveitem cada contacto com o doente (seja em contexto de urgência, internamento ou consulta) para o diagnóstico, e que possam discutir as melhores estratégias terapêuticas para cada doente.

√Č importante percebermos que √© uma doen√ßa heterog√©nea, que em alguns casos pode ser poss√≠vel diagnosticar com um simples electrocardiograma, mas noutros casos pode necessitar de realiza√ß√£o de monitoriza√ß√Ķes electrocardiogr√°ficas mais prolongadas para chegar ao diagn√≥stico.

Para maior sucesso na prevenção de eventos vasculares é indispensável que a população esteja bem informada acerca dos potenciais riscos da doença e dos ganhos que terá ao aderir cuidadosamente à terapêutica: tomar a medicação não é um fim em si, mas o caminho para prevenir AVC, incapacidade, morte.

Diariamente, continuamos a admitir pessoas em servi√ßos de urg√™ncia portugueses com complica√ß√Ķes causadas por terem deixado de tomar a medica√ß√£o prescrita. Percebemos assim que temos ainda um longo caminho a percorrer.

A Medicina Interna, integrada numa ampla rede de profissionais a trabalhar em articula√ß√£o, de onde se destaca o papel crucial das especialidades de Medicina Geral e Familiar, Neurologia e Cardiologia, manter√° a sua atividade di√°ria a diagnosticar, esclarecer e tratar um problema de sa√ļde que √© uma preocupa√ß√£o comum de todos. Acreditamos, contudo, que ano ap√≥s ano, melhorando a comunica√ß√£o e articula√ß√£o entre profissionais de sa√ļde empenhados e uma popula√ß√£o bem informada, poderemos melhorar a nossa realidade nacional.

Rogério Ferreira
Servi√ßo de Medicina Interna do Centro Hospitalar e Universit√°rio de Coimbra / N√ļcleo de Estudos de Preven√ß√£o e Risco Vascular da SPMI

Partilhe:

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*

*

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como s√£o processados os dados dos coment√°rios.