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Cidades e vilas protestam contra os eucaliptos

Cidades e vilas protestam contra os eucaliptos

Lisboa, Porto, Coimbra, Odemira, Vila Nova de Poiares, e Sert√£ s√£o o palco dos protestos na tarde do pr√≥ximo domingo, 3 de Setembro, contra os inc√™ndios florestais em Portugal, incidindo no impacto da monocultura do eucalipto e a ind√ļstria da celulose em Portugal, que est√£o a acelerar os efeitos das altera√ß√Ķes clim√°ticas, favorecendo o fogo e a seca.

O manifesto que convoca do protesto, assinado por mais de 40 pessoas de todo o pa√≠s, aponta os ciclos cada vez mais curtos de inc√™ndios catastr√≥ficos no pa√≠s e a responsabilidade da ind√ļstria das celuloses – em particular as empresas The Navigator Company e Altri Florestal – e dos sucessivos governos neste facto.

Ao longo de d√©cadas, as decis√Ķes tomadas pela ind√ļstria e pelos governantes tornaram Portugal o pa√≠s com a maior √°rea de eucaliptal relativa de todo o mundo. O resultado foi a transforma√ß√£o do nosso num territ√≥rio abandonado, onde predomina uma esp√©cie invasora e altamente combust√≠vel, o eucalipto. Outras esp√©cies tamb√©m se expandiram neste contexto, favorecendo ainda mais os inc√™ndios e a desertifica√ß√£o, como as ac√°cias e as h√°ckeas.

Acabamos de viver os meses de Junho e Julho mais quentes algumas vez registados em milhares de anos. Nesse contexto, em dezenas de pa√≠ses inc√™ndios brutais t√™m destru√≠do territ√≥rios e comunidades, matado centenas de pessoas e levado a desloca√ß√Ķes for√ßadas de cidades inteiras. Em Portugal, esse cen√°rio n√£o est√° a acontecer por um factor principal: o clima deste ver√£o est√° a ser relativamente ameno em rela√ß√£o ao resto da Europa e do Mediterr√Ęneo. Este facto n√£o √© control√°vel, √© aleat√≥rio. Quando as temperaturas sobem, o nosso pa√≠s arde. E arde mais do que todos os pa√≠ses que lhe s√£o compar√°veis – Espanha, It√°lia, Gr√©cia, Marrocos.

Ficar √† espera de um clima clemente no meio da crise clim√°tica √© simplesmente irracional e √© por isso que esta mobiliza√ß√£o coloca em cima da mesa medidas concretas e efetivas que travem o processo de desertifica√ß√£o, despovoamento e perda de biodiversidade acelerados provocados pelas monoculturas, em particular o eucaliptal. √Č urgente o cadastro florestal total do territ√≥rio nacional. O territ√≥rio abandonado – que pode chegar aos 20% de toda a √°rea do pa√≠s – deve ser assumido pelo Estado, como acontece com qualquer bem ou √°rea abandonada. √Č necess√°rio deseucaliptizar o pa√≠s, retirar eucaliptos dos quase 700 mil hectares de √°rea de eucaliptal abandonado e sem gest√£o e transformar essas √°reas em floresta e bosque resiliente que aguente o futuro mais quente e mais seco que a crise clim√°tica est√° a produzir. Para isso, √© urgente criar novas estruturas governativas muito al√©m dos organismos que permitiram que cheg√°ssemos √† atual situa√ß√£o.

O protesto em Lisboa ‚Äúpartir√° do Largo da Estef√Ęnia √†s 19h do dia, passando pelo Instituto de Conserva√ß√£o da Natureza e terminando na sede da The Navigator Company, na Avenida Fontes Pereira de Melo‚ÄĚ, segundo as porta-vozes Beatriz Xavier e M√≥nica Casqueira. Segundo outro porta-voz, “Em Odemira, local de recentes inc√™ndios nas √°reas de eucaliptais da The Navigator Company, o protesto decorrer√° com uma marcha desde o bar ‚ÄúO Cais‚ÄĚ at√© √† C√Ęmara Municipal”. No Porto ser√° em frente √† feira do Livro no Pal√°cio de Cristal, e em Coimbra, frente √† sede do ICNF na Mata Nacional do Choupal (Casa Azul).

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