DE BARAJAS COM AMOR…

P.Guedes de Carvalho

P.Guedes de Carvalho

Desta vez escrevo em viagem. As tecnologias nem sempre funcionam como a gente quer e nos aeroportos ditos internacionais, como este em Madrid, continuam a criar barreiras aos acessos wireless. Sem acesso à internet e sem mail restam-me duas outras tarefas humanas básicas quês e têm vindo a perder: ler e escrever.

Confesso que gosto pouco deste aeroporto. Incómodo, sem lugares de repouso adequado para quem tem esperas de 4 horas, com bares cada vez mais caros onde se paga por um café e um croissant simples 4,80€ sem direito a guardanapo se quer e com “louça” de plástico do pior. Sinal dos tempos da tão apregoada competitividade sem gente e rostos e com hábitos do usa e deita fora do menos ambientalista que se pode imaginar. Temos realmente muito para evoluir e considero que o nosso canto, apesar do Passos e do Portas, tem gente e costumes bem melhores que, sabendo-se aproveitar e não nos igualando a todos, poderemos rentabilizar do ponto de vista de emprego, turismo e qualidade de vida. Os estrangeiros gostam de nós e nós, quando vamos fora, também.

Hoje é um dia particularmente feliz porque se segue a um dia eleitoral onde a lista que me apoiará teve um resultado bastante prometedor, ficando apenas a 2 votos da lista de outro oponente conotado com o poder superior da instituição. No fundo o mesmo número de mandatos que, para mim, representa um ganho de um mandato em relação a 4 anos. E isso basta-me para considerar um dia feliz. No fundo sinto-me grato com a vida que muitos anteviam iria castigar quem esteve no poder e se recandidata numa conjuntura de outro poder. Isso prova como as pessoas, em geral e em média, fazem análises corretas. Se consideraram que o trabalho desenvolvido não foi mau porque não apostar mais um mandato num projecto rejuvenescido? O livro americano intitulado “The Windows of crowds” descreve muito bem este fenômeno da sabedoria dos grandes grupos.

Estou grato ainda pelas boas dezenas de telefonemas e SMS que fui recebendo durante a minha viagem de automóvel para a capital, antes de terem fechado as urnas. Algumas surpreendentes mesmo. Por isso mesmo estou grato também.

Pela vitória retumbante de uma das listas de alunos. Para mim significa o reconhecimento do trabalho de 4 anos que desenvolvi em prol da sua emancipação e vontade própria contra uma outra tendência que, precisando de alunos julga poder instrumentaliza-los para votarem e deitar fora. Os alunos não se deixaram enganar e mantiveram a sua atitude independente, acorrendo em massa às urnas. Por tudo isso estou imensamente grato também.

Por fim a votação esmagadora do corpo de funcionários numa sua representante que revela o resultado do trabalho de equipa que se conseguiu fazer durante o mandato anterior. Fico grato pois essa funcionária assumiu desde início que concorria para apoiar a minha recandidatura.
No fundo sinto-me cheio de gratidão a todos os que quiseram dar o seu contributo nos manifestos, nos debates e no apoio expresso em votos nas urnas.

Falta apenas a etapa final mas tenho a confiança que saberei mobilizar e envolver as vontades da maioria dos conselheiros que elegerão o futuro presidente de Faculdade.

E daí?

Porque me sinto cheio de amor e gratidão, a minha cabeça não pára mais e está sempre a gizar o que fazer com isso nos próximos 4 anos?

É que adivinham-se tempos bem difíceis para as escolas do ensino superior público em geral e para as do interior em particular. Não se fabricam alunos, mas teremos que reinventar as nossas funções. Para isso teremos de contar com todos os capazes e competentes, sejam quais forem as suas áreas de especialização. No fundo estamos na fábrica mais qualificada de uma região deprimida e temos em cima dos ombros a responsabilidade de transmitir o que sabemos fazer à comunidade envolvente. Será que todos vamos estar à altura desse desafio?

Com muito amor, talvez, mas muita abnegação e espirito de sacrifício de trabalho colectivo, esse mais difícil de conseguir no nosso cantinho à beira mar plantado onde todos remam para o umbigo. Sem dúvida que o trabalho mais difícil é o de construir as infraestruturas do presente que são as redes relacionais, a confiança que propulsiona a criatividade e garantem o esforço colectivo intencional. É necessário que todos abdiquem de parte do seu umbigo para que algo de novo e surpreendente aconteça. E acho que alguém me convenceu que serei capaz dessa tarefa hoje no local para onde regressarei breve.

Por: Pedro Guedes de Carvalho

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