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Dia Mundial do Doente 2024: Desafios e Promessas
Drª Mafalda Santos - Internista / Secretária Adjunta da SPMI

Dia Mundial do Doente 2024: Desafios e Promessas

Neste Dia Mundial do Doente (11 fevereiro), institu√≠do pelo Papa Jo√£o Paulo II em 1992, concentramos a nossa aten√ß√£o em algumas quest√Ķes espec√≠ficas enfrentadas pelos doentes em Portugal, destacando o compromisso da Medicina Interna na abordagem desses desafios e na busca de .solu√ß√Ķes

A Medicina Interna desempenha um papel central na coordena√ß√£o de cuidados aos doentes com condi√ß√Ķes m√©dicas complexas ou m√ļltiplas. No entanto, √© essencial otimizar a efici√™ncia desse processo, garantindo acesso r√°pido a consultas, exames e tratamentos. Em situa√ß√Ķes agudas, que, pela gravidade, impliquem cuidados hospitalares, os internistas continuam a receber os doentes nos servi√ßos de urg√™ncia externa de todo o pa√≠s. No entanto, nos √ļltimos meses, vivemos situa√ß√Ķes que colocam em causa a seguran√ßa dos doentes e profissionais, com a escassez de recursos humanos, com urg√™ncias fechadas ou sem o n√ļmero de profissionais adequado, como se evidenciou pelos tempos de espera desadequados e possivelmente em aumento de mortalidade. Iniciativas que corrijam estes d√©fices, que fortale√ßam a comunica√ß√£o entre os especialistas hospitalares e os m√©dicos de fam√≠lia, que promovam uma abordagem integrada, que evitem a descompensa√ß√£o sem aviso das doen√ßas cr√≥nicas e a orienta√ß√£o c√©lere das situa√ß√Ķes agudas, podem melhorar significativamente a experi√™ncia e progn√≥stico do doente. Tamb√©m aos doentes de todas as outras especialidades, internados em meio hospitalar, os internistas d√£o apoio permanente, quer seja em urg√™ncia interna, quer seja de forma programada e organizada, em projetos j√° implementados e que pretendemos expandir, de partilha de presta√ß√£o de cuidados m√©dicos com outras especialidades, cuja voca√ß√£o n√£o lhes permite abordar toda a complexidade dos doentes com v√°rias patologias em simult√Ęneo.

No contexto de envelhecimento da população, com necessidade de cuidados a longo prazo, a Medicina Interna tem vindo a desenvolver projetos que apoiam a prestação de cuidados domiciliares, em hospital de dia, em lares de idosos ou em unidades de cuidados continuados, alguns deles em articulação com a Medicina Geral e Familiar. São exemplos, a hospitalização domiciliária, as unidades de doentes crónicos complexos, entre outros. Pretendem garantir uma vida digna aos idosos e seus familiares.

√Č compromisso dos internistas portugueses continuar a pugnar para que os seus doentes tenham acesso a tratamentos inovadores, mas tamb√©m ao uso racional de exames e medicamentos, no melhor interesse do doente e de acordo com as suas caracter√≠sticas particulares.

A Medicina Interna muitas vezes lida com doentes que enfrentam n√£o apenas doen√ßas de √≥rg√£o, mas tamb√©m problemas de sa√ļde mental. Integrar abordagens que considerem ambos os aspetos da sa√ļde √© crucial. A forma√ß√£o cont√≠nua dos m√©dicos internistas em sa√ļde mental e a colabora√ß√£o com profissionais especializados s√£o passos fundamentais para melhorar o suporte aos doentes nessa √°rea.

A pandemia ressaltou a import√Ęncia da tecnologia na presta√ß√£o de cuidados de sa√ļde. Investimentos em solu√ß√Ķes digitais, como telemedicina e sistemas de gest√£o de sa√ļde, podem melhorar a efici√™ncia dos servi√ßos e proporcionar maior conveni√™ncia aos doentes, especialmente em √°reas remotas, para vigil√Ęncia das suas doen√ßas cr√≥nicas ou orienta√ß√£o de situa√ß√Ķes m√©dicas de novo.

Dada a r√°pida evolu√ß√£o do campo m√©dico, os internistas comprometem-se a manter o desenvolvimento profissional cont√≠nuo, investindo em forma√ß√Ķes, congressos, workshops e atualiza√ß√Ķes regulares. Os internistas participam ainda na forma√ß√£o dos futuros especialistas da sua e outras especialidades m√©dicas.

Neste Dia Mundial do Doente, reconhecemos os desafios que v√£o persistindo. Ao enfocarmos essas quest√Ķes, reafirmamos o nosso compromisso com a excel√™ncia na presta√ß√£o de cuidados m√©dicos e trabalhamos juntos para criar um futuro em que todos os doentes em Portugal possam desfrutar de um sistema de sa√ļde robusto e abrangente.

Mafalda Santos
Internista / Secret√°ria Adjunta da SPMI

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