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Doença Hepática Alcoólica

Doença Hepática Alcoólica

O consumo de álcool está enraizado nos hábitos da população portuguesa, manifestando-se até nas faixas etárias mais jovens. De acordo com dados do Eurostat, Portugal é considerado o país da União Europeia com o consumo de álcool diário mais elevado, havendo uma incidência superior no sexo masculino.

No entanto, todos os excessos t√™m as devidas consequ√™ncias e √© mais importante do que nunca sublinhar a liga√ß√£o das bebidas alco√≥licas com o desenvolvimento das doen√ßas hep√°ticas cr√≥nicas, a quarta maior causa de morte precoce no pa√≠s e, na sua generalidade, derivada do consumo de √°lcool. Se pretende cortar o mal pela raiz e prevenir-se, pode aproveitar a oportunidade de come√ßar o ano com melhores h√°bitos, aderindo √† segunda edi√ß√£o da iniciativa ‚ÄúJaneiro Sem √Ālcool‚ÄĚ, da Associa√ß√£o Portuguesa para o Estudo do F√≠gado (APEF).

A campanha, que decorre internacionalmente sob o mote ‚Äú31 Dias Sem √Ālcool‚ÄĚ, objetiva consciencializar a popula√ß√£o para os danos causados pelo √°lcool e as patologias que adv√™m do seu consumo, como √© o caso da cirrose, a fase mais avan√ßada da doen√ßa hep√°tica alco√≥lica. No entanto, √© crucial entender que o in√≠cio destas condi√ß√Ķes √© silencioso e passa pela acumula√ß√£o de gordura no f√≠gado, um dist√ļrbio conhecido por esteatose hep√°tica ou f√≠gado gordo, e que afeta cerca de 80% dos consumidores, j√° que o √°lcool facilita a concentra√ß√£o de √°cidos gordos.

Esta gordura pode ser detetada com uma simples ecografia √† regi√£o do abd√≥men, verificando-se atrav√©s da visualiza√ß√£o do f√≠gado aumentado. Nas fases iniciais da patologia, √© poss√≠vel ser-se assintom√°tico ou apresentar sinais como mal-estar, fadiga, dor na zona superior do abd√≥men, altera√ß√Ķes no apetite e incha√ßo. No entanto, a evolu√ß√£o para quadros cl√≠nicos mais graves est√° associada a problemas de sa√ļde mais debilitantes:

· Deterioração da função cerebral (encefalopatia hepática);

· Hemorragias;

· Pele e olhos com tonalidade amarela (icterícia);

· Acumulação de líquido no interior da barriga (ascite);

· Cancro do fígado (carcinoma hepatocelular).

Ainda que as les√Ķes no f√≠gado, no caso da cirrose, sejam permanentes e com a probabilidade de descompensa√ß√£o e fal√™ncia do √≥rg√£o, existe uma terap√™utica associada e que pode atrasar a progress√£o desta doen√ßa que destr√≥i o f√≠gado e a sua capacidade de filtragem de elementos prejudiciais no sangue.

Nos casos iniciais, é possível minimizar os danos deixando de ingerir álcool e adotando uma dieta nutritiva, pobre em gorduras e rica em nutrientes. Por outro lado, nos estádios mais graves, poderá ser recomendada medicação que controle os sintomas. O transplante do fígado é apenas indicado quando o seu funcionamento está gravemente comprometido e as outras formas de tratamento não estão a ser eficazes.

Visto que o √°lcool √© um dos elementos na base do desenvolvimento da doen√ßa hep√°tica e as suas complica√ß√Ķes potencialmente mort√≠feras, √© necess√°rio adotar uma postura reflexiva sobre o consumo deste tipo de bebidas, analisando comportamentos como:

· Dificuldade em parar de beber;

¬∑ Consumo isolado, fora de situa√ß√Ķes sociais;

· Indícios físicos de abstinência (ansiedade, tremores, suores excessivos, entre outros);

· Priorização do consumo em relação às restantes atividades do quotidiano;

· Agressividade ao ser confrontado com a dependência.

Se enfrenta este problema ou conhece alguém com atitudes aditivas, não hesite em recorrer a ajuda médica. Poderá ser necessário estabelecer um apoio multidisciplinar, que incida igualmente na esfera física e psicológica, englobando desde o hepatologista ao psicólogo clínico. Desafie-se, com a ajuda da APEF, e torne o seu janeiro (e o resto do ano) isento de álcool.

José Presa
Presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF)

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