Home » Ci√™ncia & Tecno » Faltam em Portugal politicas mobilizadoras da ci√™ncia
Faltam em Portugal politicas mobilizadoras da ciência
Faltam em Portugal politicas mobilizadoras da ciência

Faltam em Portugal politicas mobilizadoras da ciência

Mais do que falta de investimento, Portugal tem falta de ‚Äúpol√≠ticas p√ļblicas claras e mobilizadoras em Ci√™ncia‚ÄĚ, alerta Miguel Castanho, investigador principal do Instituto de Medicina Molecular Jo√£o Lobo Antunes (iMM) e Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, l√≠der do projeto NOVIRUSES2BRAIN.

‚ÄúO desenvolvimento cient√≠fico em Portugal est√° muito dependente de financiamento e pol√≠ticas p√ļblicas‚ÄĚ, confirma o investigador, a prop√≥sito do Dia Mundial da Ci√™ncia, que se assinala a 24 de novembro, defendendo:‚Äúpior que pouco financiamento, √© ter pol√≠ticas de ci√™ncia amb√≠guas e confusas. Na aus√™ncia de pol√≠ticas p√ļblicas claras e bem definidas, o financiamento n√£o tem aplica√ß√£o eficiente e a meritocracia √© comprometida. √Č este o principal desafio da atualidade‚ÄĚ.

A uma evolu√ß√£o ‚Äúmuito positiva‚ÄĚ sentida at√© √† interven√ß√£o da Troika, na sequ√™ncia da crise financeira, seguiram-se ‚Äúrestri√ß√Ķes econ√≥micas, primeiro, e a aus√™ncia de pol√≠ticas mobilizadoras, depois‚ÄĚ que, garante o investigador, ‚Äúimpediram o continuar dessa evolu√ß√£o‚ÄĚ. Hoje, considera n√£o haver ‚Äúuma verdadeira aposta a n√≠vel nacional‚ÄĚ. Em vez desta, fala ‚Äúnuma gest√£o casu√≠stica de fundos regionais. Portugal pouco mais investe em investiga√ß√£o cient√≠fica do que as contrapartidas nacionais aos fundos regionais. Para al√©m de um n√£o-investimento, esta atitude representa uma enorme confus√£o entre pol√≠ticas de √Ęmbito nacional e regional‚ÄĚ.

S√£o v√°rios os programas, nacionais e internacionais de apoio √† investiga√ß√£o. Miguel Castanho conhece-os bem. O projeto ‚ÄúNOVIRUSES2BRAIN‚ÄĚ, que lidera e que se encontra a desenvolver medicamentos capazes de chegar a partes muito protegidas do corpo, como o c√©rebro ou os fetos, no caso de gr√°vidas, e de impedir v√°rios tipos de v√≠rus de causarem danos nesses locais, at√© conquistou 4,2 milh√Ķes de euros de financiamento no √Ęmbito de um deles, o mecanismo de financiamento europeu FETOPEN.

√Č, por isso, com conhecimento de causa que o investigador fala na burocracia subjacente aos processos de candidatura, sobretudo em Portugal. Considera que esta burocracia n√£o vem ‚Äúde uma incompet√™ncia. A pr√°tica corrente √© a de financiar concursos nacionais com fundos regionais, o que leva a uma enorme confus√£o. Colocar problemas nacionais de investiga√ß√£o cient√≠fica no espartilho dos fundos regionais, tipicamente destinados a organiza√ß√Ķes de dimens√£o local, leva a um labirinto administrativo de enorme complica√ß√£o. A burocracia n√£o nasce da incapacidade da m√°quina administrativa do Estado; nasce do desajuste dos mecanismos de financiamento em rela√ß√£o √† natureza da investiga√ß√£o cient√≠fica, que deveria ser apoiada condignamente pelo Or√ßamento de Estado‚ÄĚ.

Miguel Castanho defende, por isso, uma pol√≠tica de liga√ß√£o da Ci√™ncia √† Economia, que diz ser inexistente. ‚ÄúA Ci√™ncia n√£o se esgota na liga√ß√£o √† Economia mas a liga√ß√£o entre ambas √© muito importante. Em Portugal, a Funda√ß√£o para a Ci√™ncia e a Tecnologia, que financia a investiga√ß√£o cient√≠fica, e a Ag√™ncia Nacional de Inova√ß√£o, que financia desenvolvimento e inova√ß√£o ao n√≠vel de empresas, s√£o realidades diferentes e independentes. Sem uma Economia da Ci√™ncia, a gera√ß√£o de emprego fica comprometida‚ÄĚ, refere.

Partilhe:

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*

*

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como s√£o processados os dados dos coment√°rios.