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Insuficiência cardíaca: conhecer, prevenir e tratar melhor

Insuficiência cardíaca: conhecer, prevenir e tratar melhor

Dia 06 de maio comemora-se o Dia Europeu da Insufici√™ncia Card√≠aca. Apesar de ser uma doen√ßa muito frequente no nosso pa√≠s, na Europa e no mundo, continua a ser muito pouco reconhecida pela popula√ß√£o geral. E, na verdade, √© a primeira causa de hospitaliza√ß√Ķes em muitos pa√≠ses, tem uma taxa de mortalidade superior a v√°rios cancros comuns (cerca de 50% em 5 anos) e √© respons√°vel por perda significativa da qualidade de vida dos doentes. Esta importante carga de doen√ßa acarreta, compreensivelmente, elevados custos econ√≥micos e para todos n√≥s, enquanto sociedade.

A insufici√™ncia card√≠aca (IC), mais do que uma doen√ßa, √© uma condi√ß√£o (s√≠ndroma) que resulta da incapacidade do cora√ß√£o corresponder √†s necessidades acrescidas de fluxo sangu√≠neo do organismo, impossibilitando-o de realizar actividade f√≠sica sem agravar os sintomas, que s√£o predominantemente o cansa√ßo, a falta de ar e o incha√ßo das pernas. Esta patologia √©, muitas vezes, o est√°dio final de outras doen√ßas cr√≥nicas comuns que afectam o cora√ß√£o como a aterosclerose (que leva √† angina de peito e ao enfarte do mioc√°rdio), a hipertens√£o arterial e a obesidade. No entanto, pode tamb√©m resultar de altera√ß√Ķes das v√°lvulas do cora√ß√£o, de t√≥xicos (como o √°lcool ou a quimioterapia), de altera√ß√Ķes gen√©ticas ou de outras patologias mais raras.

Para assinalar este dia dedicado à IC e aos nossos doentes que com ela vivem diariamente, a quem não quero deixar de recordar, pelo caminho difícil que muitas vezes trilham e que acompanhamos o melhor que podemos, quero deixar duas mensagens de alerta e optimismo:

A primeira √© que a IC √© preven√≠vel. Para tal, os h√°bitos de vida saud√°vel (dieta equilibrada do tipo mediterr√Ęnico, exerc√≠cio f√≠sico, abstin√™ncia tab√°gica e alco√≥lica) s√£o fundamentais, mas tamb√©m o s√£o o controlo das doen√ßas cr√≥nicas, como a hipertens√£o arterial, a diabetes, o colesterol elevado e a aterosclerose, a obesidade.

A segunda é que dispomos, cada vez mais, de armas para o tratamento desta doença e temos vindo a ganhar mais e melhores anos de vida para os nossos doentes. O tratamento para a IC é eficaz, assim o consigamos fazer chegar aos doentes.

Nesta luta contra a IC, precisamos do contributo de todos: da popula√ß√£o em geral para o esfor√ßo da preven√ß√£o; dos doentes, seus familiares e dos profissionais de sa√ļde, para a detec√ß√£o precoce da doen√ßa (idealmente em fase de pr√©-IC) e para o seu tratamento c√©lere e optimizado; dos decisores pol√≠ticos, para uma maior e melhor aten√ß√£o √† organiza√ß√£o dos cuidados a uma doen√ßa com um impacto t√£o significativo na nossa sociedade.

Joana Pimenta
Serviço de Medicina Interna do Centro Hospitalar Gaia/Espinho
Coordenadora do NEIC da SPMI

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