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MAS QUEM MANDA MESMO NISTO?

P.Guedes de Carvalho

P.Guedes de Carvalho

Um per√≠odo de f√©rias em casa de fam√≠lia e amigos que s√≥ se v√™em de tempos a tempos √© sempre um bom momento para nos apercebermos como pensam os outros com quem n√£o lidamos diariamente. √Č tamb√©m tempo de diferentes leituras, de jornais e revistas que nem sempre lemos com a devida aten√ß√£o. Nesse balan√ßo de f√©rias dei por mim a tomar consci√™ncia que aquilo que efectivamente preocupa o comum cidad√£o √© o sentimento de impot√™ncia sobre o que pode cada um fazer para melhorar isto? Quando me refiro a isto, quero dizer √† vida dos portugueses c√° no rect√Ęngulo e √† liga√ß√£o que sempre se faz aos outros, aqueles que decidiram emigrar e procurar melhores condi√ß√Ķes de vida noutras paragens; estes, agora mais novos quando partem do que os emigrantes dos anos 60 do s√©culo passado. E se arriscam √© porque n√£o aguentam muito mais a cambada que governa a coisa p√ļblica, os que mandam nisto, ou que a gente pensa que manda nisto.

Pois bem, mas quem manda mesmo nisto?

Facilmente as conversas se cruzam com compara√ß√Ķes do passado e do presente, com os governos nacionais e aut√°rquicos, no nosso e noutros pa√≠ses. E surge sempre aquela sensa√ß√£o do “afinal isto √© tudo igual em todo o lado” ou ” √© apenas uma quest√£o cultural” para n√£o dizer “n√≥s n√£o nascemos para mandar e s√≥ somos bons quando comandados”. Ainda por cima saiu um livro recente (referido na cr√≥nica de M. Sousa Tavares no Expresso) que demonstra como as coisas funcionam entre financeiros, governos, empresas p√ļblicas, neg√≥cios privados, etc.

Assustador!

E vale a pena recorrermos da hist√≥ria, como disse o barbeiro que me cortou o cabelo. N√≥s nunca fomos virados para a ind√ļstria, somos um pais descendente de √°rabes, s√≥ queremos com√©rcio e neg√≥cio f√°cil. Para mim, dizia ele enquanto delicadamente me aplicava a m√°quina 1, quem souber fazer alguma coisa com as m√£os (e acrescentou, ou com qualquer parte do corpo como o Cristiano) safa-se sempre; aqui ou em qualquer lado do mundo. Quem estiver √† espera que lhe a√ßam as coisas, esses viver√£o sempre √† custa dos que t√™m m√£ozinhas.

Acresce ainda que a hist√≥ria tamb√©m nos diz que a produ√ß√£o de mercadorias (commodities em economia) mudou drasticamente nos √ļltimos 20 anos. De telem√≥veis tipo caixote em 1993 passamos a ter tudo numa caixinha: telefone, m√°quina fotogr√°fica, agenda, r√°dio e at√© televis√£o, m√°quina de calcular, jornais, not√≠cias de amigos, etc. E a velocidade com que isso desvaloriza os nossos conhecimentos √© t√£o brutal que nos faz sentir verdadeiramente ‘impotentes’ perante essa evolu√ß√£o e lan√ßa-nos numa circunst√Ęncia com a qual n√£o est√°vamos habituados a lidar que se resume ao vulgar “servimos para muito pouco”! √Č por essa raz√£o que ser√° mais f√°cil tornarmo-nos espectadores do que sermos actores. Da vida e de tudo. Sentimos que cada vez sabemos menos de qualquer coisa e o pouco que sabemos serve hoje para muito pouco. A n√£o ser que, como disse o barbeiro das f√©rias, saibamos fazer alguma coisinha com as m√£ozinhas (e acrescenta, com o corpinho).

Estas constata√ß√Ķes fazem-me pensar que, assim sendo, o desporto (que utiliza essencialmente o nosso corpo) pode ser uma actividade humana em crescimento e desenvolvimento uma vez que mobiliza recursos econ√≥micos e √© √ļnico na capacidade que tem de igualizar as capacidades de acesso dos povos. O desporto √© inclusivo ao passo que a tecnologia exclui. E a√≠, os que mandam nisto, est√£o j√° a desenvolver brutais tecnologias para tamb√©m aplicar ao desporto o que nos faz temer sobre a tal frase “afinal quem manda nisto”?

No pr√≥ximo n√ļmero tentarei abordar o mesmo assunto com os movimentos aut√°rquicos e a independ√™ncia dos independentes ex-dependentes!

Por: Pedro Guedes de Carvalho

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