O Caos nas Urgências não se resolve com Equipas Médicas Exclusivas!

O caos instala-se no Serviço de Urgência (SU) sempre que os doentes chegam às centenas, porque não têm alternativas credíveis de qualidade onde possam recorrer.

As Urgências Hospitalares voltaram a ser notícia, com os doentes a aguardarem horas e horas para serem observados e alguns a morrerem na fila de espera, mas para os médicos de medicina interna, a solução para o caos das Urgências, não se resolve com Equipas Médicas Exclusivas.

Para a Sociedade Portuguesa de Medicina, o número de artigos de opinião que tem sido publicados, “veiculando as palavras de supostos especialistas, alvitraram como solução para o problema a criação de equipas médicas exclusivas de urgência. Para o público em geral, a ideia pode parecer eficaz, mas aos olhos de quem trabalha há décadas na urgência, essa é uma completa mistificação”.

(…) O caos instala-se no Serviço de Urgência (SU) sempre que os doentes chegam às centenas, porque não têm alternativas credíveis de qualidade onde possam recorrer. A situação torna-se ingovernável, quando se esgota a capacidade de internamento e os doentes são tratados nos corredores do SU, como se estivessem nas enfermarias.

A profissionalização das Equipas de Urgência não é a solução para o SU sobrelotado. Para a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, a aplicação cega do modelo estrito de equipas médicas dedicadas, tem enormes riscos em Portugal:

– O número de doentes que recorre ao SU é muito elevado, ao contrário do que acontece noutros países.
– Em Portugal o doente chega por regra à Urgência sem qualquer tipo de triagem médica ou contacto com o Médico Assistente, pelo que é crucial a abordagem holística garantida pelo Internista.
– Mais de 90% dos internamentos hospitalares são feitos através do SU, pelo que é fundamental a presença dos Médicos dos Serviços na Urgência, única forma de garantir a qualidade assistencial e evitar altas indevidas.
– O Médico “Urgencista” entra em exaustão em poucos anos, pelo que o modelo não perdura no tempo.

A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna espera que o senso impere para que as causas reais da sobrelotação das urgências possam ser identificadas e minimizadas. Os Internistas continuarão a ser o garante do funcionamento dos Serviços de Urgência e fazem-no com grande dedicação e competência (…).

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