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O céu de junho de 2023
O céu virado a Oeste, ao anoitecer do dia 22 de junho de 2023, com Lua, Marte e Vénus separados por menos de 8 graus. (Imagem: Ricardo Cardoso Reis /Stellarium)

O céu de junho de 2023

Durante a maior parte deste m√™s de junho de 2023, √© poss√≠vel observar todos os planetas vis√≠veis a olho nu. Para os madrugadores, Merc√ļrio aparece um pouco √† direita do nascer do Sol e rente ao horizonte, mesmo antes do amanhecer. O planeta n√£o estar√° muito alto no c√©u, pelo que para o ver √© preciso vis√£o desimpedida para o horizonte, virado a Este.

Tamb√©m J√ļpiter e Saturno est√£o vis√≠veis de madrugada, mas v√£o aparecendo cada vez mais cedo, com J√ļpiter a nascer por volta das 04h30 no in√≠cio do m√™s e por volta das 02h45 no fim do m√™s. J√° Saturno, nasce por volta das 02h15 no in√≠cio do m√™s, mas come√ßa a ver-se por volta da meia-noite e meia no fim do m√™s.
Ao anoitecer vemos os restantes planetas, com V√©nus, na sua vers√£o “estrela” da tarde, vis√≠vel mesmo antes do anoitecer, a Oeste. No final do m√™s este planeta, que se estava a afastar do Sol, no c√©u, inverte o sentido e inicia o caminho de aproxima√ß√£o √† nossa estrela.

Quanto à Lua, logo no dia 4 atinge a fase da lua cheia e 3 dias depois atinge o apogeu, ou seja, o ponto de maior aproximação à Terra da sua órbita mensal, a cerca de 364 mil quilómetros do nosso planeta.

No dia 10 de junho, dia Portugal, Cam√Ķes e das Comunidades Portuguesas, a Lua, que nasce por volta das 2 da manh√£, passa a cerca de 5 graus do planeta Saturno. Na tarde desse dia, quem passar pelo Planet√°rio do Porto ‚Äď Centro Ci√™ncia Viva, poder√° ver a estreia ao p√ļblico de ‚ÄúO C√©u d‚ÄôOs Lus√≠adas‚ÄĚ, a nova sess√£o imersiva de produ√ß√£o pr√≥pria, sobre as mais emblem√°ticas partes e as imensas refer√™ncias astron√≥micas na obra √©pica de Cam√Ķes, al√©m das efem√©rides astron√≥micas que ocorreram durante a vida do poeta.

No dia 14, a Lua em minguante passa a cerca de 0,3 graus de J√ļpiter, ao amanhecer. Um pouco √† esquerda destes astros ‚Äúcolados‚ÄĚ est√° o enxame de estrelas das Pl√™iades, tamb√©m conhecido em Portugal como o ‚Äúsete-estrelo‚ÄĚ, que este m√™s come√ßa novamente a ser vis√≠vel, ao amanhecer. Dois dias depois, um fino minguante da Lua passa cerca de 2 graus abaixo das Pl√™iades e 6 graus acima do planeta Merc√ļrio. No dia 17, a Lua est√° cerca de 6 graus √† esquerda deste planeta e no dia seguinte atinge a fase de lua nova.

E dia 21, √†s 15h57, ocorre o solst√≠cio (de ver√£o no hemisf√©rio Norte). Este √© o dia em que o Sol vai estar mais tempo acima do horizonte e na sua passagem a Sul, ao meio-dia, vai estar mais alto no c√©u de todo o ano. Este √© o dia mais longo do ano: Na cidade de Coimbra, por exemplo, o Sol nasce √†s 06h04 e p√Ķe-se √†s 21h07, demorando 15 horas e 03 minutos a percorrer o c√©u. Mas apesar de este ser o dia em que o nosso hemisf√©rio recebe mais energia do Sol, n√£o √© o dia mais quente do ano, pois as temperaturas continuam a subir durante algumas semanas, devido √† in√©rcia t√©rmica da Terra.

Ao anoitecer do dia 22, Marte vai estar a meio entre a Lua a V√©nus. Os tr√™s astros, vis√≠veis ao anoitecer, v√£o estar contidos numa √°rea menor do um punho, observado √† dist√Ęncia de um bra√ßo estendido.
E quase a fechar o mês, no dia 26, a Lua atinge o quarto crescente.

Boas observa√ß√Ķes.

Ricardo Cardoso Reis (Planetário do Porto e Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço)

Apimprensa / C.S.

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