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O L√ļpus Sist√©mico e a pele

O L√ļpus Sist√©mico e a pele

O L√ļpus Eritematoso Sist√©mico √© uma doen√ßa heterog√©nea, cujas manifesta√ß√Ķes podem atingir qualquer √≥rg√£o no corpo humano. Essa diversidade traduz-se nos diferentes sinais e sintomas que aparecem em doentes diferentes. A doen√ßa tamb√©m pode evoluir ao longo do tempo, com o aparecimento de novos sintomas ou o desaparecimento de outros.

O atingimento da pele no l√ļpus pode ser muito vari√°vel, quer no tipo, na gravidade ou na dura√ß√£o. Existem formas de doen√ßa exclusivamente cut√Ęnea (L√ļpus cut√Ęneo) e formas em que a pele representa apenas um dos alvos da doen√ßa (L√ļpus Eritematoso Sist√©mico).

Atualmente, sabemos os mecanismos pelos quais a pele √© atingida e porque a exposi√ß√£o solar pode ser um fator t√£o importante no agravamento do l√ļpus. De facto, esta doen√ßa resulta, em parte, de uma dificuldade do sistema imunol√≥gico em eliminar os restos celulares que se libertam no nosso organismo, provenientes de c√©lulas que morrem. Trata-se de um fen√≥meno natural que resulta na substitui√ß√£o de c√©lulas j√° envelhecidas por outras mais jovens. Quando o sistema imune n√£o tem capacidade de limpar os ‚Äúrestos celulares‚ÄĚ que se libertam e v√£o entrar em circula√ß√£o, acontece uma ativa√ß√£o imunol√≥gica na tentativa de eliminar este elevado n√ļmero de subst√Ęncias ‚Äúestranhas‚ÄĚ.

Sabemos que a luz solar pode desencadear o agravamento do l√ļpus e esse fen√≥meno resulta principalmente da exposi√ß√£o aos raios ultravioleta. Este tipo de radia√ß√£o √© t√≥xico para as c√©lulas da pele e pode desencadear o seu envelhecimento e morte, obrigando assim o sistema imunol√≥gico a um esfor√ßo extra. Nos doentes com l√ļpus, em quem esta elimina√ß√£o √© deficit√°ria, este excesso leva a um agravamento da doen√ßa.

Por este motivo se recomenda aos doentes com l√ļpus que evitem o sol e que usem protetor solar com elevado grau de prote√ß√£o. Claro que esta recomenda√ß√£o pode n√£o ser f√°cil de seguir, n√£o s√≥ pelo gosto nacional pela praia e pelo sol, como tamb√©m pela dificuldade em garantir a aplica√ß√£o de creme protector com a regularidade necess√°ria no dia-a-dia.

Ainda assim, sabemos hoje que o L√ļpus Sist√©mico pode ter v√°rios mecanismos e √© isso que explica a diferen√ßa de sintomas entre doentes. Na realidade, existem doentes a quem a luz solar n√£o parece ser t√£o indutora de agravamento da doen√ßa e para estes provavelmente n√£o seria necess√°rio um afastamento t√£o exigente da luz solar. No entanto, este √© um grupo de doentes reduzido em rela√ß√£o ao universo de todos os doentes com esta doen√ßa e n√£o √© f√°cil prever quem poder√° agravar (ou n√£o) com a exposi√ß√£o ao sol.

Desta forma, devem-se evitar longas ou intensas exposi√ß√Ķes solares e usar sempre protetores eficazes. Embora a sua necessidade possa variar de doente para doente, esta protec√ß√£o pode ser muito importante para evitar o agravamento da doen√ßa. E tal como para todas as outras doen√ßas, os doentes com l√ļpus devem aconselhar-se sempre com o seu m√©dico assistente, esclarecendo as d√ļvidas e procurando em conjunto solu√ß√Ķes para o seu caso.

Em Portugal existe uma associa√ß√£o de doentes – a Associa√ß√£o de Doentes com L√ļpus – que promove a literacia sobre a doen√ßa, apoia os doentes e as suas fam√≠lias e luta pela promo√ß√£o dos direitos dos doentes e da investiga√ß√£o m√©dica e inova√ß√£o terap√™utica.

Prof. Doutor José Delgado Alves
Director Unidade de Doenças Imunomediadas Sistémicas, Hospital Fernando Fonseca, Amadora
Professor Medicina e Terapêutica Médica, NOVA Medical School, Universidade NOVA de Lisboa.
Coordenador Nacional do N√ļcleo de Estudos de Doen√ßa Autoimunes (NEDAI) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI)

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