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OBAMA, O PAPA E OS DESCENDENTES

P.Guedes de Carvalho

P.Guedes de Carvalho

Estas duas semanas anteriores todos fomos de alguma maneira tocados pela notícia, pelos escritos e fotos e pelas reportagens sobre a morte física de Madiba e sobre o seu significado para o mundo dito civilizado actual e perspectiva de futuro.

Com as mais diversas rea√ß√Ķes muito originadas pela forma mais ou menos emocional como nos relacion√°mos com o fen√≥meno (houve at√© quem o confundisse com Morgan Freeman), todos ouvimos e vimos coisas e not√≠cias. Os √≥rg√£os de comunica√ß√£o sempre atentos, promoveram mesmo a grande fotografia sobre o evento: OBAMA a cumprimentar deferentemente RAUL CASTRO, dirigente cubano, num sinal de manifesto respeito e humildade, quero eu imaginar que numa atitude de humildade perante o defunto ali homenageado. Tratava-se de um l√≠der mundial, presidente do pa√≠s que sempre oprimiu e at√© se rebelou contra a libera√ß√£o do defunto, a mostrar ostensivamente que o seu pa√≠s estava diferente e ele se curvava, humildemente repito, perante aquele que dirige o pa√≠s com o qual os EUA ainda n√£o conseguiram perdoar. Eu quis ler este gesto como um sinal de ‚Äútenho que ganhar ju√≠zo‚ÄĚ e vou reconciliar-me com estes coitados que o meu pa√≠s tem agredido e oprimido com embargos sucessivos sem os deixar ser livres e capazes de decidir o seu futuro, livres que se encontram agora do dom√≠nio consentido do advers√°rio dos tempos da guerra fria.

Eu sei, fui só eu que quis ver isto e vi.

Por outro lado li nos jornais que o Papa Francisco est√° a ser alvo de uma profunda campanha que o ataca de pensamento marxista quando ele apenas diz que n√£o pode haver justi√ßa social enquanto as sociedades modernas admitirem que podem progredir com profundas injusti√ßas e situa√ß√Ķes de pobreza generalizada. Quer dizer, entramos numa fase em que os valores se confundem de forma subliminar e cristianismo andam perto de marxismo como no c√©lebre e genial filme de Jesus Cristo Superstar. Entramos numa √©poca completamente nova em que as pessoas podem defender uma coisa e os seu contr√°rio e deixarem de poder ser atacadas ou criticadas por defenderem as ideias X ou Y. Nada disso, hoje podemos todos defender o que nos der na real gana pois a hist√≥ria recente e as novas tecnologias apagaram completamente as mem√≥rias individuais e muito mais ainda as colectivas.

Tenho ouvido as mais deliciosas histórias sobre o passado (que eu vivi), contadas por pessoas mais novas que eu, que o fazem como se eu fosse um pobre otário que não estava cá na época e por isso nem consigo perceber o que eles estão a contar. Um elogio até por me considerarem muito novo para isso. Mas é a mais pura das realidades. Muita gente vive já virtualmente e conta coisas baseadas na sua imaginação ou nas histórias que terá ouvido contadas por outros.

Deste arrazoado queria eu concluir com as √ļltimas que absolutamente me consternam: a fam√≠lia ou parte dela de Madiba come√ßa a discutir a heran√ßa e envolve-se em quez√≠lias por causa dos direitos e das propriedades. Ainda o Homem est√° quente na urna e j√° a mente decr√©pita dos seres humanos se digladia junto √† presa. Inacredit√°vel, √© a palavra que me surge. Como √© poss√≠vel entender que, apesar das manifesta√ß√Ķes p√ļblicas de apre√ßo mundial e de absolutas provas de dedica√ß√£o e carinho pelo ser humano que agora finou seja poss√≠vel que ‚Äúditos Familiares‚ÄĚ se digladiem pela √ļnica coisa que ele nunca se interessou em vida? Pobres seres humanos.

Madiba RIP

Por: Pedro Guedes de Carvalho

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