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Os riscos para a saúde da visão no pós pandemia
Raúl de Sousa-optometrista Presidente da APLO

Os riscos para a saúde da visão no pós pandemia

Em 2015, a Organização Mundial de Saúde analisou o alarmante aumento de miopia no relatório conjunto com o Brien Holden Vision Institute. No que é classificado no meio científico como a pandemia da miopia, globalmente a prevalência da miopia está a aumentar atingindo 80% da população em vários países. O excesso de tempo em visão próxima e dispositivos eletrónicos, combinado com a falta de atividade física e exposição ao ar livre e sol, são referenciados como fatores de risco.

Em 2017, foi elaborado o Referencial da Educação para a Saúde homologado em Maio de 2020, sem a inclusão da área da Saúde da Visão, ignorando o parecer totalmente favorável do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).

É profundamente preocupante que esta homologação tenha sido concretizada nos termos em que foi, praticamente três anos após o contributo da APLO para inclusão da saúde da visão e parecer favorável do SICAD. Na verdade, falta de tempo e oportunidade estão excluídos como justificação. Competirá ao Ministério da Educação explicar por que motivo se despreza um dos cuidados de saúde especializados mais frequente e tão prioritário para o ser humano.

Mais do que nunca, os portugueses são atingidos pela deficiência visual e/ou cegueira evitável. A pandemia e as medidas de resposta do sistema educativo, através do ensino à distância e telescola, agravam a incidência de erros refrativos, problemas acomodativos e de vergências. O que torna ainda mais incompreensível a ausência e falta de atenção para com a saúde da visão das crianças, da comunidade escolar e de todos os portugueses.

Continua-se a não formar e instruir os portugueses para a promoção do bem estar da visão e prevenção da deficiência visual e/ou cegueira evitável. O Governo desinveste na literacia para a saúde da visão, até quando todos os instrumentos e meios são colocados ao dispor.

As circunstâncias extraordinárias requerem resposta e atuação urgentes para colmatar esta falha e garantir que a comunidade escolar obtém os instrumentos adequados para lidar com uma pandemia de miopia, potenciada pela pandemia de SARS-CoV-2.

Congratula-se a adoção, pela Organização Mundial de Saúde e dos seus Estados Membros, da resolução EB 146.R8 “Cuidados Integrados para a Saúde da Visão, incluindo Deficiência Visual e/ou Cegueira Evitável”.

As recomendações são claras no sentido de empoderar as pessoas e as comunidades para a promoção do bem-estar visual e prevenção de problemas visuais.

Cada dia que se demora a garantir os cuidados para a saúde da visão que os portugueses merecem e necessitam, acrescenta mais pessoas com deficiência visual e /ou cegueira que seria evitável.

Movidos pela preocupação com este problema de saúde pública os Optometristas portugueses criaram e divulgaram um Guia para a Visão Saudável, Telescola e Estudo em Casa. Aconselhamos todos a ler e adotar as medidas simples, mas eficazes para mitigar problemas visuais e reduzir a deficiência visual e /ou cegueira evitável.

Raúl de Sousa
Presidente da Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO)

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