Os valores da ética e a ética dos valores ou Licenciaturas umbilicais

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Ernani Balsa

Ernani Balsa

Nem sempre damos por isso, mas por vezes quedamo-nos a olhar para dentro de nós próprios e nem sempre compreendemos aquilo que vemos no nosso interior.

Ao longo da nossa vida construímos uma imagem daquilo que julgamos ser o que os outros vêm em nós e raramente nos questionamos se esse é o retrato que imprimimos no julgamento de quem nos vê apenas por fora e interpreta os nossos sentimentos, os nossos valores, os nossos defeitos e virtudes, apenas por aquilo que lhes damos a conhecer sem, que os deixemos abordar-nos de outras formas mais precisas e mais eficientes.

Porque o conceito que fazemos de nós próprios é em muito condicionado pelo julgamento que fazemos daquilo que pensamos projectar nos outros, sendo que essa imagem é falseada por inúmeros factores, dos quais o menos grave, seja talvez, uma certa vaidade que nos serve de vitamina para a nossa própria afirmação. Mas existem tantos outros que menosprezamos e até desconhecemos, que na realidade, quando temos a rara percepção de nos analisarmos, verificamos o quão frágeis são as nossas verdades e quão limitadas as qualidades que cremos poder içar no mastro da nossa personalidade.

É então o momento atroz em que nos questionamos sobre todos e sobre tudo! Questionamo-nos sobre a forma que temos utilizado para fazer passar a nossa mensagem e chegamos à conclusão que aquilo que realmente passámos não corresponde àquilo que julgávamos ser correcto, mas antes àquilo que queríamos fosse perfeito para que o olhar dos outros nos julgasse ao mesmo nível que nós nos vínhamos julgando a nós próprios.

Não, que o julgamento que, no fundo, fazemos daquilo que somos, seja muito diverso daquilo que realmente julgamos ser, mas o simples facto de deixarmos de acreditar naquilo que os outros pensam acerca de nós, abre-nos esta ferida incómoda e dolorosa de deixarmos de poder assentar no juízo dos outros aquilo que sempre desejámos ser e que acreditámos que eles verdadeiramente viam em nós!

Esta dupla avaliação do nosso próprio ser e o facto do exame ao nosso eu interior, diferir da imagem que aos outros é permitido ver de nós próprios, é o motivo primeiro para que valores e ética se desassoseguem no seu equilíbrio de reciprocidade e exigência e faça soar o alarme da tomada de consciência.

Claro que nem para todos isto é verdade ou importante. Miguel Relvas nunca se deu ao trabalho de reflectir sobre si próprio, além do seu importantíssimo e licenciado umbigo… Acontece aos melhores… mas muito mais frequentemente aos piores que se julgam intocáveis…

Por: Ernani Balsa
“escreve sem acordo ortográfico”

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