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SANIDADE PÚBLICA…

Ernani Balsa

Ernani Balsa

Finalmente o t√£o aguardado Gui√£o para a Reforma do Estado acabou de ser divulgado pelo Vice-Primeiro-ministro irrevog√°vel e todos ficaram a saber quase o mesmo, √† parte o facto da reforma figurar apenas no t√≠tulo, e se ter perdido depois, no meio das cento e dez p√°ginas, que Paulo Portas anunciou. Para al√©m disso, o que mais ter√° no seu conte√ļdo, s√£o 1001 maneiras de deixar tudo na mesma, porque realmente ningu√©m neste Governo, e mesmo noutros que possam vir desta mesma fornada dum bloco central e requentado, sabe bem como reformar o Estado. Se calhar, porque reformular √© que era preciso, mas eles lidam muito mal com a etimologia do verbo. Recriar um novo Estado √© uma coisa para gente com cabe√ßa e estes s√≥ t√™m fatos e gravatas de marca e palavreado low cost armada ao pingarelho. Tudo isto salteado com umas ideias vagas, muita presun√ß√£o e uma enorme ambi√ß√£o de agradar ao poder do dinheiro, que √© na realidade o que os motiva e lhes provoca orgasmos de identidade.

Não posso, contudo, fazer grandes críticas ao documento, pois ainda não o li, mas uma vez que esperámos não sei quantos meses pelo dito, também tenho o direito de ficar com o Guião à cabeceira e ir lendo-o ao ritmo das minhas insónias. O resultado deve ser o mesmo, pois aquilo ou não é para fazer ou então é um truque para amarrar o governo seguinte a uma série de conceitos e arremedos de projectos, tão grande é a sua vacuidade e o seu traço generalista. Era um documento que tinha de ser feito para atirar areia para os olhos do contribuinte e nada melhor que deixar Paulo Portas entreter-se com o exercício. Recolhidos que foram pedaços de relatórios daqui e dali, obtidos nos obscuros gabinetes dos ministérios e trabalhados por assessores cinzentos com cérebro de estagiários cheios de vaidade e mais umas frases à la Portas e pronto, cumpriu-se o nada.

Mas j√° que estamos com a m√£o na massa e o Governo, numa demonstra√ß√£o de magnanimidade e abertura, pediu o contributo a todos e especificamente √† oposi√ß√£o, h√° uma proposta que eu quero, desde j√°, aqui apresentar, no √Ęmbito da defesa da sanidade e qualidade de vida dos lares portugueses. Tem isto a ver com a regulariza√ß√£o do n√ļmero de animais dom√©sticos nas casas de todos n√≥s, prop√≥sito que, segundo parece, morreu antes de ter nascido. Foi um aborto, portanto! Mas, falando em aborto, passemos √† proposta a que me referi e que incide essencialmente‚Ķ n√£o, n√£o √© no aborto, mas sim no Governo da Na√ß√£o. Embora possam sugerir alguma semelhan√ßa, porque o aborto √© algo que morre antes de nascer, e que portanto, ao insistir na sua pr√≥pria exist√™ncia, dali n√£o pode vir nada de bom, j√° o Governo √© algo que nasceu e nunca mais morre, o que quer dizer que, mantendo-se irritantemente em fun√ß√Ķes, dali tamb√©m nada de bom vem ou vir√°‚Ķ

Proponho pois que o governo seja reformado e que em vez de um Primeiro-ministro, passe a haver s√≥ meio, que o Vice seja reduzido a um quarto dele pr√≥prio. Chega e sobra!… Quanto aos Ministros, um oitavo de cada um, por minist√©rio, e que por analogia com os can√≠deos, sejam escolhidos s√≥ de entre os de ra√ßa, com pedigree e os que forem de condi√ß√£o felina, n√£o larguem pelo e sejam capados, para n√£o se reproduzirem irresponsavelmente. √Č preciso p√īr cobro √† dissemina√ß√£o de parasitas.

Acho que seria uma medida salutar que nos protegeria a todos de uma praga de gente in√ļtil e perdul√°ria. Partindo ainda do princ√≠pio que nem todos os Portugueses estariam dispostos a albergar esta matilha no seu espa√ßo p√ļblico ou privado, sugiro tamb√©m que fossem albergados nos jardins de Bel√©m, onde h√° um tratador dispon√≠vel para o efeito. Nestas condi√ß√Ķes poderiam ali brincar aos governos, √†s reformas e √† austeridade, num ambiente pr√≥prio e resguardado, com a vantagem de poderem ladrar, ganir e miar √† vontade, reservando os seus maus feitios e perigosidade s√≥ para eles pr√≥prios mais o tratador, que ali√°s, muito bem se parece dar com eles. Passear, s√≥ com trela e n√£o esquecendo os saquinhos higi√©nicos para recolher a porcaria que muito gostam de fazer.

Como as coisas est√£o na realidade, √© que n√£o podemos continuar, sustentando Governos que s√≥ sabem obedecer ao tratador, que ainda por cima nos sai caro, por ser estrangeiro e levar honor√°rios incomport√°veis com as nossas possibilidades. H√° uma coisa que parece n√£o fazer parte das aptid√Ķes dos que ainda l√° est√£o, que √© ter a nobreza e consci√™ncia que quando se chega ao poder, com o deslumbramento de se ter chegado ao topo da pir√Ęmide, ainda est√° tudo por fazer. √Č altura de tudo se repensar com a humildade de se reconhecer que o importante s√£o as pessoas e n√£o a pol√≠tica ou os cargos. Importante √© ter a capacidade de sentir que ali se chega por via do voto popular e apenas a continuidade da na√ß√£o e o bem-estar do povo legitimam as medidas que devem ser tomadas.

N√£o se governa para agradar √†s outras na√ß√Ķes, nem aos credores, nem aos mercados, nem √† Europa de m√° fama a que cheg√°mos, governa-se para respeitarmos quem l√° nos p√īs e nos respeitarmos a n√≥s pr√≥prios‚Ķ Tudo o resto √© n√£o perceber nada da raz√£o porque se candidataram e assumiram responsabilidades que exigem hombridade, humildade e nobreza. O conhecimento, a efici√™ncia e a capacidade de trabalho exige-se a todos, mas a quem governa exige-se muito mais.

Por: Ernani Balsa
“escreve sem o acordo ortogr√°fico”

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