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TRAI√á√ÉO √Ä P√ĀTRIA

Ernani Balsa

Ernani Balsa

O que √© a vida? De que serve a vida? Ser√° que existe algum significado na vida quando somos encostados √† morte? Quando os anos que ainda nos sobram se podem equacionar pela f√≥rmula morte menos um, morte menos cinco, morte menos dez e por a√≠ fora?… √Č esta a quest√£o que muitos reformados p√Ķem hoje em dia, mas a ang√ļstia maior √© com uma d√ļvida que h√°-de morrer com eles, sem resposta nem discuss√£o, ser√° que vai servir para alguma coisa o sacrif√≠cio a que nos obrigam e esta constante press√£o at√© √† morte, mais cedo do que tarde?…

Parece haver quem defenda a teoria de que os idosos deveriam mesmo ter prazo de validade e quem o ultrapassasse, deveria ser identificado por uma qualquer ASAE da Seguran√ßa Social e ser condenado a pagar a coima respectiva, por insaninade social. Uma coisa que faria o idoso sentir-se culpado at√© √† morte, por estar a roubar recursos aos vivos da costa, aqueles que ainda mostram capacidade de desenvolver trabalho e contribuir para a nova ind√ļstria nacional, que √© produzir ricos.

Este sector da ind√ļstria nacional parece n√£o estar a correr nada mal, pois segundo not√≠cias vindas a lume recentemente, Portugal viu o seu n√ļmero de milion√°rios crescer nos √ļltimos tempos. N√£o que isto tenha alguma influ√™ncia positiva no deficit ou na d√≠vida externa e muito menos na carga fiscal sobre aquela parcela de portugueses que s√≥ servem para pagar impostos. E quantos pobres s√£o precisos para produzir um rico? E um milion√°rio? E quantos idosos mortos s√£o precisos para p√īr em ordem as contas da Seguran√ßa Social?… Ou ainda, ser√° que a Constitui√ß√£o tem servido alguma coisa para evitar a morte inapel√°vel de todos os idosos, mais tarde ou mais cedo?… Se nada, ent√£o porque n√£o morrem logo, r√°pida e silenciosamente?…

Tudo isto me faz meditar sobre o significado da vida, que não seja para produzir milionários e atafulhá-los de dinheiro, que distribuído por todos os que dele precisam, não dá em nada, porque cada um ficaria penas com uma ínfima parte do preço da felicidade, segundo os catálogos dos mercados, enviados apenas aos ricos.

Nada tenho contra os ricos, desde que eles se comportem socialmente como os pobres, ou seja, n√£o custem caro ao Estado e nada tenho tamb√©m contra o facto de os ricos poderem viver, mesmo at√© √† eternidade, se ela vier a existir um dia, desde que deixem o resto dos idosos usufruir tamb√©m dessa quimera. O t√£o atacado estado social √© afinal uma coisa de pobres, uma vez que os ricos se regem antes pelo social estado das suas empresas, companhias, ac√ß√Ķes ou conselhos de administra√ß√£o. Estas estruturas n√£o custam nada ao Estado porque este finge que a separa√ß√£o entre Estado e Privado √© t√£o estanque como a esta√ß√£o do metro do Terreiro do Pa√ßo, que desde que come√ßou a meter √°gua e mesmo depois de anos e milh√Ķes de euros de obras, ainda continua a deixar escorrer pelas paredes dos t√ļneis. Tudo uma quest√£o de engenharia, sim porque desde h√° uns tempos a esta parte, foi inventada a engenharia financeira que √© um dos ramos aristocr√°ticos da vulgar corrup√ß√£o.

A ironia √© o meu RSI contra a raiva que sinto pela governa√ß√£o de que estamos a ser alvo, mas a realidade √© bem mais grave do que qualquer ironia, porque o sofrimento das pessoas √© real. Trata-se de vida e morte. N√£o s√≥ da morte dos sonhos e projectos, do futuro de um pa√≠s com todo o seu tecido humano, mas a morte pura e dura, para a qual est√£o a ser atirados os idosos e reformados deste pa√≠s. E tudo sob a batuta cruel deste governo que incorporou um modelo draconiano e doloroso, absolutamente insens√≠vel √† condi√ß√£o humana dos portugueses, s√≥ para levar a bom termo as cren√ßas e dogmas dum poder financeiro a quem presta uma cega vassalagem e obedi√™ncia. Mas pior ainda, √© o facto de n√£o ter o m√≠nimo discernimento na inefic√°cia de tal modelo. √Č pol√≠tica e socialmente criminoso n√£o admitir que nenhuma das suas metas foi alcan√ßada e, para al√©m do resgate j√° pr√© anunciado, falam j√° num per√≠odo de mais dez anos para se conseguir uma almejada estabilidade, na qual j√° ningu√©m acredita. No entanto, n√£o s√£o s√≥ os reformados e idosos as v√≠timas deste encapotado holocausto, mas tamb√©m os jovens que n√£o se realizam e s√£o obrigados a abandonar o pa√≠s e toda uma classe m√©dia que deveria ser a coluna vertebral duma sociedade sustentada e minimamente justa.

Quando me refiro aos ricos, aos milion√°rios, n√£o lhes atribuo a culpa em especial, porque n√£o quero ser injusto e nivel√°-los todos pela mesma bitola. Culpado √© o governo por n√£o lhes exigir uma quota-parte do esfor√ßo, proporcional √† sua riqueza e aos seus lucros. √Č absolutamente inexplic√°vel que na situa√ß√£o de recess√£o que se vive, o n√ļmero de milion√°rios esteja a aumentar. Alguma coisa est√° mal, quando os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres. E quando a classe m√©dia se aproxima cada vez mais dum estado envergonhado de pobreza, esvaziando a economia do quotidiano e levando as pequenas e m√©dias empresas a um estado de fraqueza de tal ordem, que apenas encontram solu√ß√£o nas fal√™ncias e no aumento do desemprego. N√£o √© preciso ser-se economista para chegar a tal conclus√£o! Basta ser-se s√©rio, minimamente inteligente e intelectualmente honesto, coisa que este governo, de todo, n√£o √©. Trata-se de um conjunto de pol√≠ticos de pacotilha, visceralmente mentirosos e perigosamente manipuladores, que se escudam em resultados eleitorais que j√° atingiram n√≠veis de ilegitimidade intoler√°veis. A legitimidade democr√°tica n√£o √© um absoluto, mas sim um reflexo constante das pr√°ticas do exerc√≠cio do poder e da governa√ß√£o.

Pior do que isto, √© praticamente imposs√≠vel acontecer, pelo que n√£o h√° que ter medo de exigir elei√ß√Ķes antecipadas em nome da sanidade democr√°tica de Portugal. A gravidade da situa√ß√£o exige coragem e esperan√ßa, determina√ß√£o e riscos, abertura para novas e ousadas solu√ß√Ķes governativas e de pr√°tica verdadeiramente democr√°tica ao servi√ßo do pa√≠s e n√£o de subservi√™ncias humilhantes perante quem quer que seja.

Banalizar a condi√ß√£o de protectorado, que hoje em dia se considera j√° uma coisa normal, √© um absoluto acto de trai√ß√£o √† P√°tria!…

Por: Ernani Balsa
“escreve sem o acordo ortogr√°fico”

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