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Legi√£o de f√£s da World Music no Festival MED

Legi√£o de f√£s da World Music no Festival MED

O Festival MED 2023 voltou a atrair uma legião de fãs da World Music à Zona Histórica de Loulé, que oferecia um cartaz rico em nomes e presenças. Foi o que aconteceu nesta 19ª edição que, de 29 de junho a 1 de julho, levou a multiculturalidade ao coração do Algarve.

Ruas cheias de gente, palcos com plateias entusiastas, espa√ßos inusitados a servir de palco √†s mais surpreendentes manifesta√ß√Ķes art√≠sticas‚Ķ Foi assim ao longo dos tr√™s, mas foi sobretudo no s√°bado que o MED viveu mais uma das suas enchentes hist√≥ricas, com lota√ß√£o esgotada.

Em retrospetiva dos pontos altos desta festa global, no arranque do Festival, quinta-feira, o Largo da Matriz foi pequeno para os festivaleiros que quiserem ouvir as sonoridades tradicionais da √Āfrica Ocidental, com pinceladas de R&B, pela voz de um dos mais conceituados projetos da World Music. O aclamado ‚ÄúDimanche √† Bamaku‚ÄĚ que levou Amadou&Mariam √† ribalta, fez parte deste alinhamento em Loul√© que deixou, uma vez mais, o p√ļblico rendido a duo no seu regresso a esta cidade.

Outro dos concertos que entra para o ‚Äútop+‚ÄĚ deste Festival foi o de Horace Andy. A lenda do reggae viria tamb√©m a ter casa cheia e a contagiar uma plateia entusiasta. Uma sonoridade que est√° quase sempre presente no MED e, ainda por cima desta vez com um hist√≥rico da Jamaica que tamb√©m ficou conhecido pela colabora√ß√£o com os Massive Attack. Vibra√ß√Ķes positivas invadiram o recinto, num concerto com muitos cl√°ssicos revisitados.

A m√ļsica lusa do dia de arranque esteve igualmente em destaque, com mais um projeto de um dos grandes criadores portugueses. O m√ļsico T√≥ Trips, que pela quarta vez integrou o cartaz do MED ‚Äď duas vezes com os Dead Combo e o ano passado a solo, para musicar um dos cineconcertos do Cinema MED ‚Äď, veio desta vez com o seu Club Makumba. Foi uma explos√£o sonora, onde as influ√™ncias que v√£o da Bacia do Mediterr√Ęneo √†s costas de √Āfrica deram cor ao virtuosismo da banda.

Foram tamb√©m as cores nacionais que estiveram em foco na noite de sexta-feira. Pedro Mafama est√° a despontar como um dos nomes da nova vaga da m√ļsica portuguesa e n√£o foi por acaso que um p√ļblico em grande n√ļmero, sobretudo jovens, compareceu no Palco Chafariz para acompanhar o artista que veio aqui com o novo trabalho, ‚ÄúEstava no abismo mas dei um passo em frente‚ÄĚ. O medi√°tico ‚ÄúO Pre√ßo Certo‚ÄĚ ou ‚ÄúLacrau‚ÄĚ foram m√ļsicas cantadas em coro pela plateia. O artista retribuiu o calor dos f√£s com muita energia em palco.

Tomoro protagonizaram um daqueles momentos que, pela originalidade, surpreenderam e proporcionaram uma experi√™ncia √ļnica a quem esteve no Palco Castelo. Com uma simplicidade sonorosa assente sobretudo na tradi√ß√£o musical japonesa, este duo que junta percuss√£o e flauta, deixou at√≥nito quem assistiu a um concerto √ļnico, onde n√£o faltaram inclusive interpreta√ß√Ķes de compositores de m√ļsica cl√°ssica.

Na entrada para o √ļltimo dia, s√°bado, a voz de protesto da brasileira Bia Ferreira fez-se ouvir bem alto. H√° um ano esteve no Cineteatro Louletano para um espet√°culo integrado na apresenta√ß√£o desta edi√ß√£o do MED e este ano subiu ao Palco Chafariz.

A m√ļsica cabo-verdiana √© j√° um cl√°ssico do Festival MED e este ano foram os Bulimundo que tiveram a responsabilidade de trazer as harmonias de um pa√≠s que tem em Loul√© uma numerosa comunidade. A banda, que celebra 45 anos de vida, foi a grande respons√°vel por elevar o Funan√° ao estatuto do novo pop do pa√≠s e foi com estes ritmos plenos do calor de √Āfrica que o Palco Matriz se tornou um sal√£o de baile para todos os que aqui estiveram.

Foi neste mesmo palco que ecoaram os temas de sempre dos S√©tima Legi√£o. A banda veio a Loul√© celebrar 40 anos de vida, num concerto muito especial e quase √ļnico, e os f√£s disseram ‚ÄúPresente!‚ÄĚ. Claro que ‚ÄúSete Mares‚ÄĚ ou ‚ÄúPor quem n√£o esqueci‚ÄĚ levaram a plateia (a rebentar pelas costuras) ao rubro.

Para um s√°bado com lota√ß√£o esgotada tamb√©m contribuiu em muito a presen√ßa do s√≠rio Omar Souleyman, j√° que desde o momento em que foi anunciada a sua presen√ßa no MED, a curiosidade da parte do p√ļblico era muita, sobretudo pela personagem de certa forma ‚Äúkitsh‚ÄĚ que envolve o artista. E o que aqui se viveu representa bem o que √© o esp√≠rito do MED: ao lado de uma igreja onde todos os domingos √© celebrada a eucaristia, esteve um p√ļblico em √™xtase a ouvir e a deliciar-se com a m√ļsica onde as influ√™ncias turcas, curdas e √°rabes est√£o de m√£os dadas com a eletr√≥nica.

Muitos outros artistas passaram por Loul√©, dos nomes consolidados com largos anos de carreira, aos jovens que agora est√£o a surgir, de Portugal e dos quatro cantos do mundo. E n√£o foi s√≥ na Matriz, Cerca, Chafariz, Castelo ou Hammam. Pelos palcos mais pequenos, como o Calcinha, o MED Classic ou nas Bicas Velhas, tamb√©m passou muito p√ļblico, √°vido de experienciar algo diferente.

Mas o MED faz-se de muitas outras val√™ncias para al√©m da m√ļsica e foi poss√≠vel assistir a momentos de Literatura do mundo no edif√≠cio do Atl√©tico, Cinema na recriada sala junto √† Galeria de Arte do Convento do Esp√≠rito Santo ou a artes de ruas. Os muitos grupos de anima√ß√£o de rua trouxeram a intera√ß√£o com o p√ļblico de dois deles vieram do Paraguai e do M√©xico, com um folclore cheio de cor e movimento. A sua presen√ßa deve-se √† parceria entre o Munic√≠pio de Loul√© e a Casa da Am√©rica Latina e prev√™-se que, nos pr√≥ximos anos, surjam novidades no √Ęmbito desta coopera√ß√£o.

Este domingo teve lugar o ‚ÄúOpen Day‚ÄĚ, com o recinto aberto para que o p√ļblico teve a oportunidade de observar um pouco do que √© o Festival MED. Al√©m da componente gastron√≥mica, com show-cookings de valoriza√ß√£o da dieta mediterr√Ęnica, foi igualmente apresentado o Loul√© Jazz‚Äô23. O Cinema MED decorreu no Cineteatro Louletano, com a proje√ß√£o do filme ‚ÄúA Viagem do Rei‚ÄĚ, de Roger Mor e Jo√£o Pedro Moreira, uma viagem pela cabe√ßa do poeta e provocador Rui Reininho. Seguiu-se um show-case do artista nesta casa de espet√°culos.

Um festival com uma pegada verde, preocupado com o futuro do Planeta e com a introdu√ß√£o de medidas que promovam a sustentabilidade ambiental √© tamb√©m a marca deste evento. O MED incorporou em 2023 os Objetivos de Desenvolvimento Sustent√°vel da Agenda 2030 das Na√ß√Ķes Unidas, um compromisso que passa pela igualdade de g√©nero (ODS 5), trabalho digno e crescimento econ√≥mico (ODS 8), reduzir as desigualdades (ODS 10), cidades e comunidades sustent√°veis (ODS 11), produ√ß√£o e consumo sustent√°veis (ODS 12), a√ß√£o clim√°tica (ODS 13) e parcerias para a implementa√ß√£o dos objetivos (ODS 17). Mas tamb√©m um trabalho para a erradica√ß√£o da pobreza, atrav√©s da associa√ß√£o ao Movimento Zero Desperd√≠cio. Este ano, foram 897 as refei√ß√Ķes resgatadas pela equipa da Refood e distribu√≠das a 9 institui√ß√Ķes. Desta forma foram evitados 448 kg de res√≠duos e a emiss√£o de perto de 2 toneladas de CO2.

Por outro lado, e um pouco à semelhança do que tinha acontecido em 2022, o MED desafiou alguns incubados do Loulé Design Lab para criarem peças decorativas para alguns espaços do recinto, através da utilização de materiais já usados. Este processo criativo teve como resultado um jardim vertical, puffs feitos a partir de lonas e com enchimento de lã de ovelha churra algarvia ou um pórtico feito com rolos de cartão.

Os milhares de visitantes que passam por Loul√© nestes dias levam daqui uma experi√™ncia √ļnica, ao contr√°rio do que acontece com outros festivais que acontecem pelo pa√≠s. Desde logo, o ambiente que se vive no casco antigo da cidade onde o legado isl√Ęmico se faz sentir em cada pedra da cal√ßada mas sobretudo nos Banhos Isl√Ęmicos. Mas tamb√©m um certo tipicismo associado ao imagin√°rio mediterr√Ęnico, a combinar com as sonoridades que e com todo o programa cultural apresentado, diferenciador, multidisciplinar e, acima multicultural.

‚ÄúSomos um festival fora da mainstream e isso faz toda a diferen√ßa. As pessoas v√™m aqui n√£o s√≥ pelos artistas mas sobretudo pelo conjunto de experi√™ncias sensoriais que podem ter, o que n√£o acontece noutros eventos. Estamos muito felizes pois conseguimos, uma vez mais, proporcionar essas experi√™ncias enriquecedoras a quem por aqui passou, seja por via da m√ļsica ou por um simples degustar de um prato de comida √°rabe, pela leitura de um poema ou pela visualiza√ß√£o de um filme, por dar um pezinho de dan√ßa numa discoteca improvisada no quintal de uma casa ou um encontro de amigos neste cruzamento de gentes de v√°rios pontos do Globo‚ÄĚ, refere o diretor do Festival, Carlos Carmo.

Em 2024 o Festival MED celebra 20 anos, uma data redonda que ser√° celebrada de forma especial. O presidente da Autarquia levanta um pouco do v√©u do que se ir√° passar. ‚ÄúEstamos muito empenhados para que seja uma grande edi√ß√£o e por isso estamos a preparar algumas novidades. Iremos, pela primeira vez, ter um pa√≠s estrangeiro convidado, e o primeiro ser√° Marrocos. S√£o nossos vizinhos, uma geografia cultural diferente mas que importa conhecer melhor. Mas haver√° muito mais para celebrarmos este momento e em breve come√ßaremos a anunciar o que se prev√™‚ÄĚ, adianta o autarca V√≠tor Aleixo.

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