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A Hepatite C tem cura
Rita Serras Jorge / N√ļcleo de Estudos das Doen√ßas do F√≠gado (SPMI)

A Hepatite C tem cura

A hepatite C √© uma doen√ßa infeciosa que causa inflama√ß√£o do f√≠gado e √© provocada pelo v√≠rus da hepatite C (VHC). A sua principal via de transmiss√£o √© atrav√©s do contacto com sangue contaminado, nomeadamente, atrav√©s da partilha de seringas, transfus√Ķes sangu√≠neas realizadas antes de 1992, uso de material n√£o esterilizado, etc. Contudo, raramente, pode tamb√©m ser transmitida por via sexual e de m√£e para filho durante a gravidez ou parto. Ap√≥s a infe√ß√£o, 20 a 30% dos indiv√≠duos curam-se de forma espont√Ęnea, mas os restantes evoluem para infe√ß√£o cr√≥nica que pode causar cirrose hep√°tica e cancro do f√≠gado. A infe√ß√£o cr√≥nica pode ser assintom√°tica durante d√©cadas o que torna dif√≠cil o seu diagn√≥stico atempado.

Desde 2015 que estão disponíveis novos fármacos para o tratamento da hepatite C, designados de antivirais de ação direta, que são altamente eficazes, com taxas de cura na ordem dos 97%. Estes medicamentos são disponibilizados gratuitamente ao utente, muito bem tolerados e possuem poucos efeitos colaterais. A duração desta terapêutica é efetuada por períodos cada vez mais curtos, podendo a maioria dos doentes atingir a cura após 8 semanas.

Apesar dos avan√ßos cient√≠ficos na √°rea, a n√≠vel mundial, surgem anualmente 1,5 milh√Ķes de novos casos da doen√ßa e esta √© atualmente respons√°vel por cerca de 300 000 mortes por ano. Determina ainda morbilidade significativa e custos elevados na √°rea da sa√ļde. Em 2015, as hepatites virais no seu conjunto eram a 7.¬™ causa de morte no mundo.

Dado o elevado impacto desta doen√ßa, as Na√ß√Ķes Unidas na sua Assembleia Geral de 2015 definiram na Agenda para 2030 v√°rios Objetivos de Desenvolvimento Sustent√°vel nos quais inclu√≠ram a erradica√ß√£o das hepatites como principais causas de morte at√© essa mesma data. Desde ent√£o, a Organiza√ß√£o Mundial de Sa√ļde tem emitido v√°rias orienta√ß√Ķes para o atingimento deste objetivo, incluindo medidas ao n√≠vel da preven√ß√£o, diagn√≥stico, tratamento e cuidados aos doentes com hepatite C.
Para o atingimento destas metas, foi criado em Portugal o Programa Nacional para as Hepatites Virais, sob al√ßada da Direc√ß√£o Geral de Sa√ļde, que tem como diretor o Prof. Rui Tato Marinho. Este programa visa coordenar a√ß√Ķes e desenvolver orienta√ß√Ķes para os profissionais de sa√ļde e organiza√ß√Ķes n√£o governamentais (ONG) envolvidas na √°rea de forma a que estas metas sejam atingidas. No seu √ļltimo relat√≥rio, apresentou como objetivos para os pr√≥ximos dois anos, a cria√ß√£o de normas para que todos os indiv√≠duos realizem o teste da hepatite C pelo menos uma vez na vida, a par de uma intensifica√ß√£o do rastreio junto dos grupos de risco, procurando ainda uma descentraliza√ß√£o dos cuidados de sa√ļde de forma a aproxim√°-los das popula√ß√Ķes mais dif√≠ceis de acompanhar e tratar, como por exemplo os utilizadores de drogas, os reclusos, os sem abrigo e os profissionais do sexo.

Dada a facilidade atual de tratamento, o esfor√ßo dos profissionais de sa√ļde a n√≠vel mundial tem-se centrado no diagn√≥stico do maior n√ļmero de indiv√≠duos, com enfoque particular nos grupos de risco, e na agiliza√ß√£o do acompanhamento, disponibiliza√ß√£o e cumprimento do tratamento. Em Portugal, t√™m sido levadas a cabo v√°rias a√ß√Ķes de rastreio da popula√ß√£o geral, estando inclusive dispon√≠veis testes r√°pidos nalgumas farm√°cias comunit√°rias. O acompanhamento comunit√°rio de indiv√≠duos em situa√ß√£o de exclus√£o social, inseridos em Programa de reinser√ß√£o ou recupera√ß√£o, frequentadores de Programas de Consumo Assistido de estupefacientes, etc, tem constitu√≠do uma prioridade e o trabalho desenvolvido entre os profissionais de sa√ļde e as ONG que d√£o apoio a estes indiv√≠duos tem resultado em ganhos significativos no cuidado aos mesmos, possibilitando um diagn√≥stico de proximidade e um acompanhamento ao longo do processo de tratamento.

Contudo, muito h√° ainda a ser feito. √Č tamb√©m necess√°rio consciencializar a comunidade e o poder pol√≠tico para estas problem√°ticas.

Se tem algum dos fatores de risco acima mencionados e nunca realizou o teste da hepatite C, fale com o seu médico! A hepatite C tem cura!

Rita Serras Jorge
N√ļcleo de Estudos das Doen√ßas do F√≠gado (SPMI)

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