ABERTA FRENTE ARMADA NO SUL DE MOÇAMBIQUE

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Leopardo do GiléHomens armados tidos como da Renamo atacaram, na madrugada desta terça-feira, dia 14 de Janeiro, o Posto Policial da localidade de Mavume, distrito de Funhalouro, província de Inhambane (sul do país) matando, na ocasião, um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM). Na mesma ocasião, ainda em Mavume, que dista cerca de 10 quilómetros da vila sede de Funhalouro, os ditos homens armados vandalizaram e roubaram o mercado local e o Centro de Saúde, facto que fez com que durante todo o dia dessa terça-feira funcionasse a meio gás.

A incursão dos homens armados da Renamo começou por volta das 3 horas da madrugada. Logo à sua chegada a Mavume, foram directos ao posto policial e numa rápida troca de tiros com a polícia local, conseguiram ter o domínio da confrontação, facto que obrigou a fuga desesperada dos homens da lei e da ordem.

Um polícia, que se acredita na altura do assalto se encontrava embriagado, permaneceu sozinho Na esquadra da polícia e chegados ao local, os homens armados, primeiro espancaram o agente e no fim mataram-no recorrendo a arma de fogo.

Segundo relatos, este grupo de homens armados num total aproximado de 10 elementos, nem todos tinham armas de fogo. Depois de aniquilarem o agente policial, os homens armados foram directo ao mercado local, onde vandalizaram as bancas, arrombaram as portas das pequenas barracas que ali existem e roubaram aquilo que conseguiram carregando, especialmente arroz e bebidas alcoólicas.

Insatisfeitos com a acção, os homens foram directos ao Centro de Saúde local onde depois de vandalizeram aquela unidade hospitalar, roubaram vários tipos de medicamentos. Alguns doentes que ali se encontravam, particularmente mulheres grávidas, tiveram que abandonar o local a procura de abrigo seguro.

Ao que apurámos, só por voltadas 6 horas é que quatro carros/blindados da força conjunta (Forças Armadas de Moçambique/ FADM e Forças de Intervenção rápida/ FIR) chegaram a Mavume. Até ao fim da tarde do dia 15 de Janeiro, a brigada conjunta das Forças de Defesa e Segurança encontrava-se ainda na localidade de Mavume, no sentido de permitir o funcionamento das instituições públicas, mas o mercado e a unidade sanitária encontravam se praticamente “às moscas”,depois da população ter fugido em retirada para a vila sede do distrito de Funhalouro.

SOBRE INSTABILIDADE POLÍTICO-MILITAR
Académicos apresentam manifesto colectivo de reflexão

O manifesto denominado “Caminhos Moçambicanos para a Construção da Democracia”, apresentado pelos académicos Brazão Mazula, Lourenço do Rosário e Luís de Brito(reitores de Universidades Moçambicanas), refere que “a actual instabilidade político militar tem as suas causas prováveis na cultura política dominante, baseada na limitação da cidadania e no modelo económico extractivo que enfraquece o vínculo entre o Estado e o cidadão”.

Nesta ordem de ideias, conforme indica o manifesto, “a actual situação exige uma reflexão mais abrangente, e virada para a identificação de elementos que possam assegurar um processo político mais estável, pois a limitação deste processo, a apenas dois partidos políticos, pode se revelar problemática para uma solução sustentável da instabilidade”.

Segundo Brazão Mazula, o documento sugere ainda o alargamento do debate a outros sectores políticos, diferentes grupos sociais, religiosos e profissionais, para reforçar a cidadania e consolidar a democracia, tornando-o mais inclusivo: “Uma possibilidade seria a realização duma Convenção Nacional, um mecanismo que tem alguma experiência de sucesso em contextos continente africano”, frisou. Num outro desenvolvimento, o académico referiu que o documento recomenda a realização do debate sobre o sistema de representação, “reflectindo sobre as possibilidades de adopção de um sistema eleitoral misto, com a introdução de listas uninominais com o objectivo de alargar a base de participação e também a promoção da cidadania”.

“A crescente e elevada abstenção nas eleições presidenciais e legislativas, é particularmente preocupante e contrasta com a tendência inversa observada em muitos municípios. A experiência mostra, pois, que a proximidade dos candidatos em relação aos eleitores é um factor de mobilização e um caminho para a melhoria da qualidade de
representação”, destacou. Relativamente à edificação de uma sociedade democrática no País e as suas respectivas instituições, o documento verifica, entre outros aspectos, a existência de “uma cultura política que gera autoritarismo e paternalismo e limita as possibilidades da cidadania, constrangendo a liberdade dos indivíduos e a distância institucional entre o Estado e o cidadão, que é um legado histórico das condições da construção do Estado moderno em Moçambique e legado de uma cultura política menos libertária do que se tem proposto”.

Refira-se que os intelectuais que participaram no referido encontro e as organizações promotoras da iniciativa, comprometeram-se a continuar a contribuir para a reflexão sobre os caminhos para a consolidação do processo democrático no País, bem como participar e estimular a participação em outras iniciativas em proveito da cidadania, democracia, paz e desenvolvimento.

Por: Leopardo do Gilé algures em Moçambique
“escreve sem o acordo ortográfico”

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